05 Novembro 2009

Para alguém que ainda não tem a dimensão daquilo que é capaz

Quando não te vejo, sinto alguns devaneios tolos a me provocar, procurando razões para o que desconheço, por respostas que não possuo, oriundas de um superego fugaz, imerso em crenças feudais.

Porém, quando te encontro, eles se esvaem como que por encanto.

Então, lhe ofereço amor, na tentativa pálida de tentar aquiescer seu coração preocupado com o futuro. Embora irrequieto, é tranqüilo e calmo quando necessário e forte e voraz quando conveniente.

Tal igual nunca vi antes.

Talvez seja por isso que me cativa a cada dia.

Talvez por isso que em sua ausência, minha mente busque pensamentos tolos que lhe afastam de mim, mas que, quando descobertos, desvelam a falta que sentia de você ao meu lado, mesmo que imediato tenha sido a sua presença.

É nela que muitas vezes construímos nossa relação. Onde se arquitetam sonhos verossímeis ou meramente divertidos.

É nela que se redescobre a encantadora alegria de se jogar a forca: como pode ato tão lúdico voltar a me divertir tanto?

É nesses entre meios que ganha meu coração.

No silêncio que lhe observo, vejo lábios a se morder, um olhar vago, longínquo, que – como por magia – percebe ser observado e – de relance – aperta minha mão, sorri surpresa e em silêncio diz “eu te amo”.

Por assim dizer – com os olhos – nada é tão declarado: já denota me conhecer através deles.

Seqüestra-me a ausência de verdade através das sombras que ele denuncia e num rubor aquiescido de peraltice não hesito: falo... ou às vezes só reflito.

São dessas brechas que abre – por vezes tão imperceptíveis – que me infiltro para lhe conhecer um pouco mais. O jeito doce de dizer o que sente falta ou das tosquices nos momentos mais inoportunos. Tudo é colorido.

Talvez fatigue, mas até lá, contemplo. Aquiesço como esboços de um desabrochar de uma linda flor. Uma tulipa se assim o quiser.

De alento serve a sua compreensão, companheirismo, adequação e esforços em tentar entender alguém que se acha tão complexo, mas que em realidade – como você já percebeu –, é apenas um ser humano qualquer, que você prefere chamar de “buni”.
Hélius de Moraes>> 23:16 >>03/11/2009.




29 Outubro 2009

Morte é a solução

Durante algum tempo, pensar sobre a morte não foi para mim uma opção, mas sim algo persecutório.

Ficava imaginando o que viria depois, se é que viria algo.

Com o passar do tempo, essa questão foi se acomodando. Entendi que o pensar sobre a morte é inerente ao ser humano, principalmente quando as coisas não vão bem.

Veja bem: quando temos um problema, nos angustiamos, sofremos e ambos os sentimentos nos deixam tristes. Tendo em vista que a angústia é relativa ao medo da morte, esta se mostra como única alternativa para a solução de muitos problemas. Daí o suicídio.

Entretanto, é mais comum transformarmos nossas angústias em medos, pois nestes podemos encontrar alguma solução, porque podemos dominá-los. Já a morte não. Ela é a única certeza que temos. E por ser tão dura, nos faz refletir acerca de uma perspectiva posterior. Caso eu não consiga me satisfazer nessa vida, é bom que tenha mais um tempo depois para buscar satisfação (muitas vezes, lê-se aqui felicidade).

Contudo, poucos refletem que a linguagem e seu valor psicológico, são um construto humano e, portanto, a esse deveria se responsabilizar pelas (compreendendo as) conseqüências que cada verbete acarreta. Na realidade, não refletimos: admiramos aqueles que conseguem conceituar cada palavrinha, principalmente aquelas que ganham sentido sagrado na boca do carismático.

Felicidade, satisfação, vida, morte, dinheiro, sofrimento... no fim, são preocupações criadas para encher a vida com espaço, assim como acumulamos bugigangas na nossa casa.

Vamos enchendo nossa vida com promessas, vislumbres futurísticos, tragédias, relacionamentos, filhos. Tudo para darmos um significado àquilo que nos ensinam se tratar de uma dádiva: a vida. Conceituamos subjetivamente a palavra “vida” através dessas ações.

Justamente por essa aura de “dom” que atribuímos, é que nos sentimos mal quando pensamos na morte (que é iminente e sem escapatória), pois precisamos de mais tempo para aproveitar esse presente que nos foi dado.

Porém, a incerteza de uma continuidade eterna, gera angústia, pois quando nos damos conta, não gerimos nosso tempo como gostaríamos. Acabamos atribuindo a responsabilidade dessa ingerência para os pais, filhos, emprego, mazelas sociais, capitalismo, etc.

Por mais que a dialética indivíduo X sociedade impere sobre o ser humano, este, é aquele que detém o poder do agora.

É na efetivação do presente que nos fazemos sentir vivos.

As perspectivas são fúteis, pois nos geram ansiedade. É nelas que o óbvio se encontra: podemos não ter um amanhã e na incerteza de um futuro, não se constitui a certeza de que um desejo ou uma solução possa se concretizar.

Percebam que deixei o título sem uma pontuação. Particularmente, penso que quem afirma ser a solução, poderia a partir deste texto (ignorem a pretensão), repensar seus conceitos. Quem articulou como pergunta, pôde repousar em algumas linhas que procuraram discorrer mais sobre esse assunto.

Agora, quem esperava uma resposta, me desculpe: essa nunca teremos e, se um dia tivermos, provavelmente não terá mais valor de uso.

Fiquem bem.

Hélius de Moraes >>28/10/2009 >>22:38


03 Setembro 2009

"Jesus Cristo é uma pessoa que se ama, não uma filosofia que se discute..."

Na empresa onde eu trabalho tem um monte de papeizinhos com esses dizeres, colados pelas paredes. Minha tia (e patroa) é otimista. Pessoa que sempre vê o lado positivo das coisas e isso a ajuda a não perder o foco.

Hoje parei diante desse papel e pensei: “Porra! Quem sabe se ensinassem que Cristo é tipo um Bob Dylan, Bob Marley ou qualquer um desses famosos imortais, fosse mais fácil de aceitá-lo.

Daqui há mil anos saberão que esses existiram pela sua obra. Assim como saberão sobre Jesus.

No entanto, se cindissem o lado místico/religioso da figura dele enquanto homem e filosofia de vida, seria mais fácil aceitar a probabilidade de sua existência.

Hélius >>13:59 >>04/08/2009

24 Agosto 2009

Do lado ruim da vida que passou, que passa ou que passará

Das inconstâncias que permeiam nossas vidas.
Das mazelas que destroem o coração.
Dos tormentos que dividem nosso dia.
Das palavras que frustraram, sem pena, nem piedade, sem direito a expiação.

Dos dias intermináveis de lamúria.
Dos sonhos que de belos tinham apenas o nome.
Dos sinais que nos empurravam para frente e que a mente puxava para trás.
Da rotina que estourava nossos miolos.

Do sofrimento que não tinha explicação.

Daquilo que a gente não disse.

Daquilo que a gente não faz.

Das pessoas que não deveriam ter nos marcado.

De tudo aquilo que ninguém merece.

No entanto, que foi real, que é necessário e que hoje se percebe: nos compôs como seres humanos.

Hélius >>00:12 >>20/07/2009

16 Julho 2009

Rios, pontes, muletas ou como queiram chamar

Por mais que a gente caminhe para frente, parece que a nossa vida não quer seguir uma linha reta. Está mais próxima de um espiral.

Pessoas vem e vão.

Não podemos torná-las muletas. Muletas nos fazem andar mais devagar. Atrasam o nosso sucesso. Atrapalham a nossa felicidade. Engessam o nosso movimento. Quando menos esperamos, elas podem se tornar parte do nosso corpo e acabamos nos acostumando com elas.

Tornemo-las pontes.

Para que sirvam de auxílio para que possamos atravessar o rio da existência sem se molhar.

Bem verdade que às vezes caímos. Por vontade própria ou não.
Bem verdade que umas pontes são de madeira, outras de pedras, algumas de concreto.

É que naquele momento, foi esse o material que puderam te fornecer durante a tua passagem.

Das lembranças sobram afetos, cicatrizes (internas ou externas), ilusões e desilusões.

Se nunca nos banhamos num rio por duas vezes (Heráclito), é porque adquirimos resiliência para que com o outro possamos dislumbrar um futuro mais pleno e feliz.

Assim, sejamos como um rio: diferentes a cada segundo, a cada enxurrada ou a cada calmaria.

O importante é estar renovado para que a próxima ponte seja mais forte.

Tem mais coisa, mas por hora é isso.
Hélius de Moraes >> 15/07/2009 >>12:37

24 Junho 2009

Coisas de um ser humano normal... eu acho

Muito já escrevi sobre muros.
Também já dediquei algum tempo para descrever os anjos.
Certas vezes, quando perdido, me encontrei em textos puramente verborrágicos: palavras ao léu, sem sentido consciente, mas de alto valor catártico.
Claramente pintei um rótulo de não rotulador, não julgador, não preconceituoso. Aquele que através das palavras, consegue acolher todas as diferenças.

Hoje me dou conta do quão rotulador, tão julgador e tão preconceituoso eu fui.

Sou.

No entanto, tem alguém do meu lado mostrando que, através de um olhar, é possível dizer muito sem falar nada. E é nesse silêncio que busco aceitar melhor todas as diferenças.


É difícil, mas eu gosto de desafios.
Hélius >>19:51 >>24/06/2009.

09 Junho 2009

Assombração

Desordena meu equilíbrio.
Destroça minha alma.
Condena meu futuro,
quando escuto do passado.

Relego a dor para quem quiser comprar.
Mendigo a solução para quem puder me dar.
Burro: não é no outro que ela se encontra.

É na minha cabeça... e só...
Quem dera saber, ser suficiente...
Talvez trazê-la só, ao coração.
Hélius >>00:19 >>09/06/2009

05 Maio 2009

Do que me compõem...

Eu não consigo ser dois,
ao passo que está difícil ser apenas um.
É na troca com aquilo que está em ti e não me pertence, que me faço eu.
Mas então, para que preocupar-me em ser um, se é do que emana da tua esfera a meu respeito que me componho como sujeito?
Hélius >>20:00 >>05/05/2009

22 Abril 2009

Você: sujeito ou objeto de sua vida?

Já não somos mais os mesmos, pois já não estamos mais no mesmo lugar.
Já não conseguimos mais mantermos-nos ouvintes, pois não sabemos mais sobre o que conversar.
Na úlcera da pressa, a dor não tem voz. O paladino remedia o que incomoda, adiando a agonia de um provável câncer.

A gente se repete. Sabemos o que nos dá angústia, mas a gente se repete.

Nos falta coragem para admitir que não somos tão maduros como imaginávamos que fossemos.
Nos falta coragem para tirar o traseiro da zona de conforto e agir contra o veneno da rotina.

A mudança ameaça pelo medo da perda do afeto.

Escolher entre liberdade ou segurança, é e sempre será, um dilema insolúvel. No entanto, manter-se freado diante de uma situação incômoda – e que lhe é consciente – pode ser pensado como algo da ordem do doentio.

Então, pare e pense: hoje, como você está? Com quem você está? Como você se sente? Bem ou mal?

Não procure um extremo como resposta. Se chegar num equilíbrio, dê-se por satisfeito.

Se a balança pender para um lado muito ruim, não se preocupe: dar-se conta daquilo que está lhe incomodando já é alguma coisa.

Apenas fique de olhos mais abertos, para que quando as oportunidades de equilibrar a balança aparecerem, você possa estar atento e consiga começar a agir.
Hélius >>20/04/2009 >>18:22

14 Abril 2009

A filha do ventre esmaecido

Bendito é o fruto do ventre esmaecido que te pariu.
De cordeiro já trocastes pele, virou loba, ninguém viu.
Jamais poderia te imaginar em tamanha transformação.
Fora naquela bendita hora, fora tal como daquela indicação.

Por um momento me vi iluminado
por uma luz que de teus olhos refletia.
Jamais me senti assim aliviado,
nesses dias de angústia, desterro e melancolia.

Foram-se os bicos das águias.
Trocaram-se as peles das cobras.
Morreram todas as vacas sagradas.
Sobrou apenas a filha do ventre esmaecido.

* * * * *
A voz do inconsciente não esclarece, alivia.
Hélius >>19:26 >>14/04/2009

31 Março 2009

Quem quer esse samba?

Quero chegar e falar
Me aproximar e fazer rima
Pegar seus cabelos, enrolar
Sem ter que dobrar outra esquina

Prefiro não ter pr’onde ir
Do que ficar aqui lhe esperando
Sozinho não sei mais fingir
Que a vida tá melhorando

Segura a lua parada
Pra noite andar com a maré
Do seu lado não sei dizer nada
Se abro a boca sai: “qualé”?

Menina se mexe contente
Pra vida rimar com você
Fugir daqui de repente
Já não me pertence o porquê

Olha o dia clareando
E o seu sorriso brotar
Outrora seguiria andando
Hoje já consigo lhe amar.

Hélius >>31/03/2009 >>00:30

28 Janeiro 2009

Em certos dias, me pego envolvido por pensamentos persecutórios.

Então, sinto uma imensa vontade de ter as habilidades de uma avestruz.

Instantes de (des) conforto

Insone, percebeu que o dia clareou e que já estava na hora de ir para o trabalho.

Separou alguns CD’s para ouvir música durante a labuta. Não era sempre que podia escutar alguma coisa. Então, quando tinha oportunidade, aproveitava o som para dissipar o barulho dos reatores das lâmpadas.

No caminho para o ponto de ônibus, acendeu um cigarro. Esperava que o mesmo pudesse clarear um pouco suas idéias. Já havia algum tempo que misturava sonho com realidade. Essas noites em claro só aumentavam suas dúvidas.

Naquele dia não pôde ocupar-se com a leitura habitual: aproveitava os trinta minutos de viagem para sorver algum conhecimento.

Só conseguiu matutar em relação ao pensamento que lhe consumia: teria sido aquilo um sonho, alucinação ou realidade?

Quando chegou à empresa, inconscientemente colocou a trilha mais romântica que dispunha.

Enquanto calibrava a máquina de corte, algumas lágrimas ensaiavam despencar.

Era triste a sua realidade: deu-se conta que foi só um sonho.

Lembrou que na semana passada, avistou num jornal antigo, a imagem daquela linda mulher: estava trajada de noiva. Seu corpo ali estampado era só um produto. Porém, ele não se importava: consumiria de qualquer jeito, pois conhecia o seu conteúdo.

Naquela madrugada, foi traído por uns poucos instantes de cochilo. Minutos. Na sua cabeça, o romance que se armou, decorreu em horas. Sentiu a fragilidade de seu corpo, a sutileza de seu beijo e a magia de seu sexo.

Foram sensações tão reais, que a ideia de ser apenas um sonho, o aturdiu durante boa parte daquela manhã.

Sabia que na vida real poderia conquistar aquela mulher, mas... queria mesmo?

Usava de desculpas consigo mesmo: seu cansaço devido às horas de trabalho e estudo, tanto quanto o empecilho dela morar em outra cidade.

Entre dúvidas e inseguranças, apenas lamentou a ilusão do sonho.

Trocou de música e seguiu com seu ofício.

Sua vidinha continuaria sendo embalada pela esperança. Igual a daqueles que acreditam no destino.


Hélius >>08:38 >>28/01/2009

10 Janeiro 2009

Ócio Criativo

Em breve, mudanças...

02 Janeiro 2009

Quando é o touro quem manda (Artificiais demais)

Bucéfalos do coito anal que cobrem as vacas loucas: digladiam moralmente entre si, no círculo em que eles mesmos construíram.

Varas soltas, sem iscas, a espera do melhor peixe.

Às vezes fisgam o que não querem. Então, partes de si, entram em conflito: se debatem como baratas envenenadas.

Alienados periodicamente, procurando o rumo da sobrevivência, perdem-se na sensação que lhes cobre o imenso vazio, construído pelo próprio meio em que vivem: a superficialidade do artificial.

Hélius >>02/01/2009 >>01:08

21 Dezembro 2008

Balanço de final de ano

14 Dezembro 2008

Acho que era outubro... de 83...

A minha alma não estava lá quando eu abri a porta e deixei você entrar.
Quando chegou, eu vi você sair.

Quando você foi embora, fiquei de boca aberta , cuca torta, cabeça inchada.
“Safada!”... foi o que você me ouviu pensar.

Naquela noite nenhum dos dois devia ter se encontrado.
Traçaram com rompante aquilo que não existia, mas naquele mesmo dia se chegou ao fim.

Se chega ao fim o que não teve começo?

Você já tinha toda história, tudo, tudo na cabeça. Eu ali parado pedia, por favor, não desapareça.

Paguei pra ver e o preço foi razoável. Hoje percebo que saí no lucro.

Releio o que eu escrevi durante aquele período e percebo o inconsciente metendo o dedo na minha cara e dizendo: “- Não é isso o que você quer. Sabe disso!!!”.

Ignorei-me. Desrespeitei-me. Desvalorizei-me.

Ao passo que agora, consigo entender muito do que me era distante.

Portanto, ainda me resta dizer-te: obrigado.
Hélius >>17:53 >>14/12/2008

10 Dezembro 2008

Já que falaram do mar... (parte final)

Fui recebido pelo dono da casa - aquele que estava remexendo as brasas: seu Adãozinho (nunca vou esquecer desse nome). Enquanto eu contava o meu dia, ele já foi oferecendo churrasco, caipirinha, cerveja...
Ali também tinha “antropólogos do senso comum”: seu filho e esposa, a netinha e a “véia” (era assim que ele chamava a mulher dele).

Seu Adãozinho tomara conta daquele ferro-velho durante longa data. Atualmente era seu filho que “tocava” o lugar. Ele (o Adãozinho) estava envolvido num negócio de compra e venda de carros usados.

No dia seguinte, teria que ir para a praia de Capão Novo fazer umas cobranças e me ofereceu - além do lugar para poso - carona para a cidade no dia seguinte.

Fez questão que eu dormisse na residência dele ou de seu filho, porque existiam muitas cobras no meio das latas daqueles carros. Eu agradeci muito e expliquei que, se eu não dormisse ao menos uma noite na minha barraca, a aventura a qual me propus não teria muito sentido (que aquela altura nem eu mais sabia qual era).

* * * * *

Enfim, depois da janta oferecida pelo seu Adão, fui montar minha barraca atrás da casa do filho dele.

Batia uma brisa, proveniente da imensa lagoa que havia atrás de seu terreno. Só percebi que se tratava de um lago, pelo reflexo da lua no espelho d’água.

Dormi.

Apesar de ter deitado diretamente sobre a grama, sem colchonete, acordei bem. Muito bem por sinal.

Quando saí dá barraca, pude contemplar o que antes apenas observara pelo reflexo do luar: a lagoa. Saquei da mochila a câmera fotográfica (analógica, ainda) e tratei de fotografar-me diante daquela paisagem.

Ok. Da paisagem não consegui muita coisa, mas gostei muito da foto.

* * * * *

Fui até a casa do seu Adãozinho.

Adão: “- Dormiu bemmmm meu filho?”. (ele tinha o hábito de prolongar os fonemas de algumas palavras).

Hélius: “- Sim senhor. Muito bem.”.

Adão: “- Não ficou com medo das cobras?” (perguntou com um sorriso sarcástico no canto da boca).

Hélius: “- De modo algum. A barraca estava bem fechada.” (também dei risada).

Adão: “- Que bom meu filho... já tomou café? Quer uma canjiquiiiiiiinha?”.

Hélius: “- Olha seu Adão: a canjiquinha eu lhe agradeço, mas um cafezinho iria muito bem...”

Adão: “- ÔÔÔ véia: serve um café pro moço...como é mesmo teu nome, meu filho?”.

Hélius: “- Hélius.”.

Adão: “- Hélio?!?!”.

Hélius: “- Quase isso seu Adão. É: H-É-L-I-U-S, com U-S no final”.

Adão: “- Ah bão. Então senta aí Hélio, que já sai o café.”.

Tem gente que não esquece o gosto do café da vó. Eu também não esqueço. Os especialistas comentam que a água influencia na composição do mesmo. Então, quando tomamos café em locais diferentes daqueles aos quais estamos acostumados a beber, é natural sentirmos uma leve diferença em seu sabor. Em outras vezes, a rede de saneamento de onde vem a água, não é a mesma daquela região aonde você vive. Esse seria o fator que deixaria aquele café com um sabor único.

Se foi a água eu não sei, mas o café da “véia” do seu Adãozinho lembrou-me muito o café da minha avó.

* * * * *

Antes de sairmos para Capão Novo, resolvi dar uma espiada na estrada pela qual eu havia perambulado na noite anterior. Fotografei umas árvores - copas imensas - perdidas no meio de todo aquele mato raso que beirava a estrada.

O mais cômico foi, que ao voltar os olhos para o ferro-velho, avistei no terreno ao seu lado, uma placa enorme com os seguintes dizeres: “CAMPING” (não lembro o que mais estava descrito na placa). Não o avistara na noite anterior, pois como já descrevi, a rodovia era muito pouco iluminada... assim, como enxergar a placa do bendito camping?

Ri sozinho.

* * * * *

Bem... voltei para a minha barraca. Fechei o saco-de-dormir, dei uma organizada na mochila e desmontei meu teto.

Estava pronto.

Despedi-me da “véia”, do filho e da nora do seu Adãozinho, bem como da sua “netiiiiiiinha”.

Então pegamos a estrada.

Pelo caminho, seu Adãozinho foi cumprimentando as pessoas. Parecia ser homem conhecido de muita gente.

Quando adentramos por Capão Novo, ele parou por alguns lugarejos, procurando receber de seus devedores. O velho tinha uma lábia muito boa para cobrar. Era impressionante. Eu ficava quieto no meu banco, só ouvindo.

Na estrada, ele também ficava atento, procurando por carros que estivessem à venda. O homem parecia ter um tino aguçado para o negócio.

* * * * *

Quando chegamos a Capão da Canoa, eu não sabia orientar como chegar à casa do meu primo. Fazia muito tempo que eu não ía para lá e esquecera do caminho. Então liguei para o “Zeca” (meu primo). Era por volta do meio-dia. Mesmo assim, interrompeu seu almoço, pegou sua moto e foi até aonde estávamos para guiar o seu Adãozinho.

Chegando à casa do Zeca, peguei minhas coisas no porta-malas do carro do seu Adãozinho. Saquei minha carteira e fiz menção de pagar pela hospedagem. Ele apenas sorriu e virou a cara para o meu primo, exclamando:

“- Ô Zequiiiiiiinha?!?! Quer quanto pela moto?”

Meu primo deu risada.

Como quem troca de assunto, agradeceu seu Adão pela gentileza de ter me levado até ali, assim como eu também o fiz.

Juntei-me aos meus familiares, almocei e mais tarde fui dar uma volta na beira do mar.

* * * * *

Enquanto olhava para a ilusão de infinito que o mar proporciona, refletia: quanta coisa se passou em apenas dois dias.



Aquele gesto do seu Adão, de virar a cara e sorrir, me disse muito: hospitalidade não se paga. Hospedagem sim.

Sua maturidade, proveniente da escola da vida, lhe propiciava uma tranqüilidade tal e qual, é possível observar somente em poucas pessoas que passam por nossas vidas.

Não conversei muito sobre sua vida particular. Couberam apenas especulações: talvez trabalhara a vida inteira no ferro-velho e agora deixara-o para o filho tomar conta. Homem ativo que sempre foi, não conseguira ficar parado e deu um jeito de continuar trabalhando, fazendo o que gosta: trocar coisas. Comprar e vender. Ao invés de ferro-velho, agora carros usados.

Saí de Caxias do Sul para encontrar na BR-101, um homem cujo prazer estava na profissão com a qual eu estava desiludido: vendedor.

Ironia do destino?

Não sei..., mas essa experiência valeu para eu reformular muita das minhas representações, bem como, conseguir decidir àquilo que eu deveria fazer quando eu voltasse ao trabalho.

F I M


Ah... de 2005 pra cá, eu fui poucas vezes à praia (agora de carro ou ônibus, não mais a pé). Nessas poucas idas, passei apenas uma vez pela frente do tal ferro-velho, mas por estar de carona não pude parar para trocar uma idéia com o “seu Adãozinho”. Quem sabe um dia... apenas para dizer: "obrigado... por tudo". Mesmo que ele não mensure do que se trata esse "tudo".
Hélius >>20:04 >>10/12/2008

02 Dezembro 2008

Das controvérsias mórbidas...

"Um minuto de silêncio não é suficiente para eu dizer tudo
o que eu penso sobre você".
Hélius >>23:18 >>30/11/2008

30 Novembro 2008

Já que falaram do mar... (parte 2)

"Então" - pensei eu - "vamos para Curumim".

Ok. Peguei a BR 101 e fui-me embora.

Aquela rodovia era muito escura. Logo parei para colar umas fitas prateadas refletoras que eu havia comprado. Coisas de escoteirinho, sabe?!?!

Enquanto caminhava, dava-me conta que o tempo de descanso no ônibus não fora o suficiente para recuperar as energias.

O escuro da noite (linda por sinal), somado ao silêncio e a imensidão daquela rodovia, davam a impressão que eu não chegaria a lugar nenhum.

Lembro que numa certa altura, tomado pelo cansaço, eu parei para tomar água, próximo a um dos poucos locais iluminados que beiravam a estrada. Enquanto bebia, os cães latiam ensandecidos, esperando que seu dono saísse para verificar o que se passava naquela pacata noite. Óbvio que alguém saiu à porta. Estava há uns cem metros de distância de onde eu me encontrava. Minha miopia não permitiu concluir o que aquela pessoa portava nas mãos, mas por via das dúvidas, optei por colocar a mochila nas costas e seguir meu caminho. “Uma chumbada de sal não viria bem àquela altura” – pensei eu.

Percebendo que eu não mais caminhava e sim me arrastava, conscientizei-me que deveria procurar por um camping. Assim, montaria minha barraca, faria minha janta e dormiria. No dia seguinte, pensaria melhor no que fazer.

Tá... mas e achar um camping?

A estrada estava realmente muito escura. As poucas luzes existentes pertenciam a singelas casinhas ou sítios de beira da estrada, como o citado anteriormente.

Aquele ar bucólico de “singelas casinhas” me contagiou. Enquanto passava pela frente de uma delas, pensei em parar para bater em sua porta. Vi que seu quintal era amplo e, me passou pela cabeça, que talvez, seus donos não se importariam que eu me alojasse ali naquela noite.

Era uma casa de médio porte, térrea. Na frente, à esquerda, uma janela ampla e a porta de entrada. À direita, uma garagem. Foi dessa janela grande que me espiaram assim que eu bati a porta. Um senhor me recebeu, pedindo o que eu desejava. Contei brevemente a minha aventura, na expectativa dele se comover com minha história. Nisso, saiu uma garotinha de uns três ou quatro anos (supus ser sua filha) que ficou me olhando com a boca imensamente aberta. Em seguida, saiu a esposa do cara. Pela garagem, saiu uma senhora de uns sessenta anos.

Senti-me um objeto. Estava cercado por antropólogos do senso comum. Ao passo que eu falava, já imaginava as milhares de coisas que poderiam estar se passando na cabeça daqueles viventes, em relação àquela visão a sua frente: “o estranho ser viajante”.

O dono da casa, já estava quase deixando que eu ficasse hospedado em seu quintal, mas a senhora mais idosa (para não dizer “velha rabugenta”), disse:

“- Mas tem um camping, logo aqui a o lado”.

Eu não tinha me dado conta, mas no lado direito da mochila, presa do lado de fora, estava minha faca. Logo, eu presumi que aquela senhora se assustou com o que viu e resolveu intervir pelo zelo da pobre família.

Já pensou? Sai no jornal do dia seguinte: “Viajante desconhecido esquarteja uma família inteira na BR 101.”.

Pois bem: diante daquele comentário, tive que ir atrás do tal “camping, logo aqui ao lado”.

Mas não tinha porcaria nenhuma!... ou até tinha, mas estava tão escuro que não dava para enxergar placa alguma que sinalizasse “Camping” ou algo do gênero.

Então segui caminhando. Não desanimei. Apenas tratei de guardar a faca no lado de dentro da mochila.

Andei mais uns tantos metros e avistei um ferro-velho. De longe, eu percebi algumas pessoas ao redor de uma churrasqueira e um senhor que remexia as brasas.

Pensei comigo: “É ali que eu vou”.

Continua...

Hélius >>20:12 >>30/11/2008
"Ao passo que escrevo, elaboro a eu mesmo, forçando-me a investir mais contra minha própria vida, para ter algo sobre o que escrever no dia seguinte".

Hélius >>16:32 >>30/11/2008

24 Novembro 2008

Já que falaram do mar...

Na metade de 2005, nas minhas férias de inverno, lembro que passava por uma crise existencial. Eu estava num conflito interno muito grande - que envolvia meus valores - causado pelo ofício que eu estava desenvolvendo: vendas.

Na tentativa de encontrar um rumo, resolvi ir à praia... a pé.

Eu conhecia histórias de amigos escoteiros que já haviam se aventurado nesse sentido e que tinham obtido sucesso na sua meta. Portanto, achei que também conseguiria.

Tratei de traçar um plano: estabeleci um destino, uma meta diária de percurso para alcançar o objetivo em três dias, lista de compras, entre outros. Olhando meus arquivos antigos encontrei aquilo que na época chamei de “roteiro de férias”, olha só:

Não lembro de ter comprado energético, mas o resto sim.

Se não me falha a memória, saí numa sexta-feira pela manhã, não muito cedo. Acordei por volta de umas 9hs e tomei um bom café. Peguei um ônibus de linha urbana que me levasse até próximo à estrada que leva a praia (para quem é da região, a conhece como Rota do Sol).

Não sei se foi por causa da pressa, da ansiedade quanto à aventura, ou seja lá porque cargas d’água, me deu um puta dessaranjo já de saída. Então a primeira parada foi num banheiro de uma oficina a beira da Rota do Sol.

Restabelecido, comecei a jornada. Caminhei por mais ou menos umas oito horas. Nesse meio tempo, fiz uma pausa para colocar cascas de bergamota entre os dedos dos pés, que a essa altura já estavam com bolhas. Também parei para o almoço.




Lá pelas tantas, eu não agüentei mais. Não mensurei que o peso da mochila atrapalharia tanto. Além da comida, levara também as mudas de roupas necessárias para ficar uns quatro dias pela casa do meu primo.

Contando os intervalos, fiz quarenta quilômetros em mais ou menos 9hs: estava dentro do planejado. Porém, não agüentava mais. Comecei a me questionar se conseguiria dar conta de mais dois dias nesse ritmo ou se seria melhor voltar.

Resolvi voltar.

Liguei para rodoviária de Caxias do Sul e pedi qual era o horário do próximo ônibus sentido Litoral - Caxias. No entanto, durante a ligação, num instante de insight ou devaneio (sei lá), perguntei também o horário do ônibus sentido Caxias - Litoral. Esse, já estava a caminho. Pararia em Terra de Areia. Então pensei que de lá, poderia esperar por uma carona do meu primo ou pegar o próximo ônibus até meu destino: Capão da Canoa.

Ao telefone, falei com meu primo, informando-lhe de meus planos e, para minha surpresa, ele tinha um aniversário de quinze anos para ir. Bem... nem cogitei em insistir. Apenas disse que ficasse tranqüilo, que eu daria um jeito.

Fiquei a contemplar paisagens enquanto esperava o ônibus.

Quando ele chegou, pude descansar um pouco. Pela cabeça passavam-me pensamentos de frustração por desistir de um objetivo no meio do caminho, bem como, outros me empurravam dizendo que a aventura ainda não tinha terminado.

Cheguei a Terra de Areia por volta das 22hs.

Ao conversar com o funcionário da rodoviária, fui informado que não tinha mais ônibus em direção as demais praias.

Maravilha...

Perguntei então, quanto tempo de carro, levava para ir dali até Capão da Canoa. Disse-me ele:
“-Quarenta e cinco minutos”.
Retruquei: “-E para Curumim?”.
“-Uns quinze minutos” – disse ele.
Pedi por Curumim, pois tinha conhecidos lá, e caso fosse mais perto, iria a pé para lá mesmo.

Continua...
>>00:006 >>25/11/2008

16 Novembro 2008

Síndrome de Procusto

"Na mitologia grega, um gigante chamado Procusto convidava pessoas para passarem a noite em sua cama de ferro. Mas havia uma armadilha nesta hospitalidade: ele insistia que os visitantes coubessem, com perfeição, na cama. Se eram muito baixos, ele os esticava; se eram altos, cortava suas pernas.

Por mais artificial que isto possa parecer, será que não gastamos um bocado de energia emocional tentando alterar ou "enquadrar" outras pessoas de formas diversas, embora menos drásticas?

Esperamos, com freqüência, que os outros vivam segundo nossos padrões e ideais, ajustando-se aos nossos conceitos de como eles deveriam ser. Ou então, assumimos a responsabilidade de torná-los felizes, bem ajustados e emocionalmente saudáveis.

A verdade é que grande parte dos atritos que existem nos relacionamentos acontecem quando tentamos impor nossa vontade aos outros - quando tentamos administrá-los e controlá-los.

De tempos em tempos, em graus variados, assumimos responsabilidades que não nos pertencem. Tentamos dirigir a vida das outras pessoas, com a intenção de influenciar tudo, desde a dieta até a escolha de roupas, decisões financeiras e profissionais. Tomamos partido e ficamos excessivamente envolvidos, até encontramos ou criamos problemas onde não existem para poder criticar e oferecer conselhos.

É preciso entender que ninguém muda até que deseje fazê-lo. O indivíduo precisa estar disposto a mudar, bem como, sentir-se pronto para tomar as atitudes necessárias para efetuar a mudança. E por este motivo que o resultado de nosso "procustianismo" é, contudo, sempre o mesmo. Estamos destinados a fracassar em nossos esforços para controlar ou modificar alguém, não importa o quanto sejam nobres nossas intenções. E estamos destinados a terminar num turbilhão - frustrados, ressentidos e cheios de auto-piedade.

E o que dizer das pessoas que tentamos orientar? Por outro lado, mostramos falta de respeito por seus direitos como indivíduos, privando-as da oportunidade de aprender através de suas próprias escolhas, decisões e erros. Em resumo, nosso relacionamento com aqueles com os quais declaramos nos preocupar profundamente torna-se desarmonioso e forçado.

Permita que os outros vivam sua vida, enquanto vivemos a nossa - viva e deixe viver."

Se alguém conhece o autor, avise que creditarei.

14 Novembro 2008

Quando a alma se liberta do ausente

Quando eu sair da tua sombra,

não adiantará mais dar-me teu coração.

Pois se outrora eu quis inebriar-me só com teu perfume,

hoje teu cheiro já condensou, virou nuvem e se foi.


Agora não preciso mais expurgar-te em palavras.

Agora não quero mais desperdiçar minhas linhas contigo.

Hoje só me basta saber que estou viva.

Já não me interessa mais por onde o teu viver caminhas.


Descanso no escoro da tua ausência,

que das lágrimas já não me arrancam sal.

Repouso sobre o som de suaves músicas,

que me remetem apenas ao saber que hoje estou livre:

pronta para libertar o meu amor.


Hélius >>17:44 >> 13/11/2008

10 Novembro 2008

Penso, logo: sou um ignorante em constante metamorfose.

07 Novembro 2008

Das merdas que adubam a vida...

Pode as laterais que te cerceiam, para te assegurares do saber de quem tu és.
Pode as laterais que te cerceiam, para te assegurares do saber.
Pode as laterais que te cerceiam.
Pode as laterais.
Pode?

Lembre-te que um dia, os galhos já fizeram parte da tua bela copa.
Se hoje tens a necessidade de podá-los, é porque necessitas dar espaço para reorganizar tua vida. É uma chance de reconstruir a ti mesmo.

O que acontece com os galhos podados?

Ficarão aos teus pés, se decomporão e servirão de adubo para que ganhes força quando brotarem outros galhos.

Se serão bons ou maus adubadores, essa preocupação não cabe a ti. Tu já os cortastes, lembra?

Construir e desconstruir para transformar, faz parte do curso natural da vida. Às vezes não é possível ter controle sobre aquilo que os outros adubam em ti.

Alguns teóricos da personalidade afirmam que, durante a infância, é importante valorizar toda forma de produção da criança. Isso serviria como ferramenta para auxiliar na construção de um ego saudável. Nessas produções, estão incluídas o coco.

Sim: a merda como um pedacinho bonitinho da criança para ti... de presente!

Portanto, é natural que tu se sintas renovado quando adubam-te com merda de boa qualidade. Afinal de contas, é um pedaço de si que a criatura está te dando, como forma de dar continuidade ao teu crescimento.

Todavia, em outros casos, a merda é ruim.

O papai e a mamãe fizeram cara feia para a “cacaca” da criança e, essa por sua vez, entendeu que aquilo que saiu de dentro de si mesma, era um produto ruim.

Coitadinha... passará o resto da sua vida sem entender o poder que sua merda tem?

Creio que a vida lhe oferecerá outros meios, através dos quais ela possa ressignificar o valor de sua merda.

Talvez essa merda sirva para adubar os novos galhos que virão a te cercear. Porém, não cabe a ti esperar por isso: cobrar do outro aquilo que não provém de ti, é subjugar toda magnífica experiência de vida desse ser. Tu não tens como adivinhar o efeito (bom ou ruim) que a merda dele terá em tuas raízes. Assim te tornas egoísta: por fazer jus de um entendimento que interessa apenas às tuas expectativas.

Galhos novos vão e vêm. Nascem e caem. Seja lá por qual tipo de merda forem adubados.

Ao passo que se a merda não se identifica com o teu tipo de raiz, tu automaticamente a rejeitarás. Ela procurará outras raízes para adubar.

Então, a merda não é ruim por não ter conseguido te adubar. Tampouco tu és ruim por não teres conseguido ser adubado por aquela merda.

Entendas que aquela adubagem, foi o máximo que a merda conseguiu fazer por ti. O problema foi que o teu biotipo não se adequou com aquele adubo.

Enfim, quando a tua árvore se encontrar com a merda certa, verás que precisarás podar bem menos galhos, pois tu não mais desconstruir-se-a ou construir-se-a numa velocidade a esmo.

O adubo apenas somar-se-a a ti, de maneira tão natural, que não mais perceberás o ciclo que a natureza tem guardado para ti.

Hélius >>02:37 >>07/11/2008

04 Novembro 2008

Durante um instante naquela noite, ele conseguiu unir o sentimento a pessoa.
Foi a troca de um olhar, separados por poucos metros - entre um corredor e outro ambiente.
Segundo(s) – não sei ao certo.
A música dizia o que ambos queriam, mas os freios... estes quebraram a magia.

Ele foi ao banheiro e ela continuou a dançar.
Hélius

03 Novembro 2008

A maneira racional de existir

A maneira racional de existir refere-se ao estado em que o indivíduo se encontra, quando ciente das suas construções essenciais a respeito dos eventos que lhe sucedem. O usufruto do seu “poder” racional, lhe permite enxergar verdades que vão além daquelas apresentadas pela sociedade onde vive. Oferece a chance de reflexão sobre os modelos prontos (entes) que lhe são impugnados.

Racionalizar é uma tendência do ser humano para melhor compreender sua situação de
ser-no-mundo.

Assim, formamos construções em relação ao que nos acontece na maneira sintonizada de existir, a fim de prolongar aquela sensação proveniente daquele momento ou simplesmente para aprender como prolonga-la quando ela ocorrer novamente.

Bem como, construímos hipóteses em relação ao que nos acontece na maneira preocupada de existir, afim de não repetir essa experiência ou livrar-se dela mais rapidamente na próxima vez que ela se repetir.

Segundo Forghieri (2004), “Angústia, medo e coragem encontram-se intimamente relacionados. É vivenciando minhas angústias e analisando-as racionalmente, a fim de transformá-las em medos concretos e verificar os recursos dos quais disponho para poder enfrentá-los, que vou tendo coragem para planejar e pôr em prática as minhas ações.” (p. 40).

A maneira racional de existir é aquela que reempodera o sujeito do real sentido de ser-no-mundo e lhe propicia a chance de superação e planejamento frente às temeridades do dia-a-dia.

Utilizando-se das palavras de Forghieri (2004):

Assim sendo, as maneiras preocupada e sintonizada – nas quais dei destaque, respectivamente, aos sentimentos desagradáveis ou agradáveis – podem surgir, muito próximas e entrelaçadas, em vivência imediata, que contém esses dois tipos de sentimentos, alternando-se tão rapidamente que encontramos dificuldade para distingui-los. Além disso, a maneira racional – na qual enfatizei a elaboração intelectual das experiências cotidianas imediatas – embora esteja voltada para uma análise, de certo modo, objetiva das situações, não deixa de conter sempre algum nível de preocupação, de sintonia, ou de ambas. (p. 41).

* * * * *

Agora que temos um pouco mais de informação nas mãos, talvez consigamos observar com outros olhos os fenômenos que acontecem na nossa rotina e deles tirar um melhor proveito.

Compreender e circular entre as diferentes maneiras de existir - sob uma perspectiva fenomenológica -, nos atribui de capacidades para entendermos melhor todos os fenômenos que ocorrem em nossa vida.

A idéia que nós fizemos desses acontecimentos deve ser compreendida como passível de mudanças e de auto interpretação.

Analisar fenomenologicamente uma situação, sob o ponto de vista existencial, colabora para que nós possamos – através desses mecanismos – ter uma melhor noção das “verdades” construídas no mundo em que vivemos. Assim, nos permitiremos viver bem e compreenderemos melhor o que se passa com as nossas expectativas.

Referência bibliográfica: FORGHIERI, Y. C. Psicologia Fenomenológica – Fundamentos, Método e Pesquisas. 1º ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

Hélius >>00:31 >>03/11/2008

30 Outubro 2008

A maneira sintonizada de existir

A maneira sintonizada de existir acontece nos espaços de tempo em que não estamos preocupados e/ou angustiados.

Conforme afirma Forghieri (2004), “A manifestação mais profunda da maneira sintonizada de existir consiste numa vivência de completa harmonia de nosso existir no mundo.” (p. 37). Essa sintonia aparece, por exemplo, quando nos percebemos absortos em uma boa música ou simplesmente cozinhando.

Forghieri (2004) ainda cita, “Mas, além de acontecer algumas vezes, e apenas por alguns instantes, de forma tão ampla e profunda, a maneira sintonizada de existir ocorre, mais freqüentemente, de modo menos intenso, consistindo apenas num tênue e agradável sentimento de bem-estar e tranqüilidade.” (p. 38-39).

Da mesma forma que devemos esclarecer quanto à maneira preocupada de existir, faz-se peculiar apontar a maneira sintonizada. Assim, esperamos que as pessoas se dêem conta, que essas maneiras de existir intercalam-se como uma espiral linear infinita ao longo de nossa vida.


A maneira sintonizada de existir é erigida quando nos encontramos em harmonia com todos os fenômenos que acontecem ao nosso redor. Estar sintonizado significa saber lidar “positivamente” com os diferentes fenômenos que ocorrem em nosso dia-a-dia, facilitando nosso cotidiano, bem como compreendendo melhor a opinião alheia.

Referência bibliográfica: FORGHIERI, Y. C. Psicologia Fenomenológica – Fundamentos, Método e Pesquisas. 1º ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.


Hélius >>20:49 >>30/10/2008

29 Outubro 2008

Na trilha da vida...

..., descompassos em um compasso erigido em meio a um castelo de areia, perturbam mais que um tiro de canhão ao bater em um castelo com muros de pedra.

Hélius de Moraes >>00:40 >>29/10/2008

27 Outubro 2008

Das maneiras de existir

Quando ouvimos falar em psicologia logo pensamos em Freud. Porém, obviamente, não foi apenas esse indivíduo que construiu os alicerces dessa ciência. Juntamente a escolas como o behaviorismo, a psicologia da gestalt e tantas outras, existe uma linha de pensamento dentro da psicologia, chamada fenomenologia existencial. Um de seus alicerces está erigido sobre os pensamentos de filósofos como: Heidegger, Hurssel, Sartre, Binswanger, Merleau-Ponty, Medard Boss, entre outros.

Uma das características da psicologia fenomenológica existencial é capacitar o indivíduo a perceber e elaborar melhor acerca dos fenômenos que experimenta durante a sua existência.

Para tanto, empodera-se o homem da sua condição de sujeito operante nas suas relações com o cotidiano, mostrando-lhe as maneiras diferentes de existir: preocupada, sintonizada e racional.

* * * * *

A maneira preocupada de existir

A maneira preocupada de existir instaura-se no sujeito através de sensações de leve intranqüilidade à extrema angústia e está ligada intimamente com esse sentimento.

Segundo Forghieri, (2004) “O desejo, o recear, o amedrontar-se, o afligir-se se fundamentam, no ‘cuidado, ou preocupação por algo’, que é inerente ao nosso existir no mundo” (p. 36).

A angústia, nada mais é do que o reflexo inconsciente que o ser humano tem, da certeza de que um dia irá morrer. Ela por si só, é a representação do nosso medo da morte.

Como é inconsciente, a angústia angustia, instalando-se através de medos, pois esses são mais fáceis de serem identificados e passíveis de solução, controle. Esses medos são então, as formas fantasiadas da angústia, que nos guiam a situações de leve a extremo conflito.

Dependendo de sua disseminação, nos aliena da percepção “correta” da essência dos fenômenos, tal e qual nos atrapalham na reconstrução de nossos novos ideais.

Portanto, devemos ter claro que a angústia nunca será vencida/esgotada/esvaída definitivamente, pois ela é inerente à nossa própria existência, na qual está contida uma única e persecutória certeza: de que um dia morreremos.

Referência bibliográfica: FORGHIERI, Y. C. Psicologia Fenomenológica – Fundamentos, Método e Pesquisas. 1º ed. São Paulo: Pioneira, 2004.

Hélius >>22:54 >>27/10/2004
Ah... e se ainda assim a vontade persistir, por gentileza, use materiais atóxicos.

Hélius >>07:08 >>27/10/2008
Não pinte a meu respeito, enquanto eu não lhe der tinta e pincel...

Hélius >>01:20 >>27/10/2008

22 Outubro 2008

De: Hélius
Enviada em: quinta-feira, 16 de outubro de 2008 21:59
Para: sac@thomsonlearning.com.br
Assunto: permissão para reprodução
Prioridade: Alta

Bom dia!

Gostaria de obter uma autorização para reproduzir em meu blog, parte de um
livro. Tendo em vista que é uma obra já resumida, está complicado de fazer
uma releitura à respeito. Me identifiquei tanto com os termos usados e as
citações que assim, portanto, gostaria de reproduzí-los tal e qual estão no
livro.

Cito: Título = Psicologia Fenomenológica - Fundamentos, método e pesquisas.
Autora = Yolanda Cintrão Forghieri
Editora = Pioneira Psicologia
ISBN = 85-221-0163-9

Páginas que desejo reproduzir na íntegra: 35, 36, 37, 38, 39, 40 e 41.

Como devo proceder para obter a autorização de sua editora?

Att.

Hélius de Moraes



-----Mensagem original-----
De: Figueiredo Helainy De, Shisleyne (CL Ibero)
[mailto:Shisleyne.Figueiredo@cengage.com]
Enviada em: terça-feira, 21 de outubro de 2008 16:15
Para: SAC
Assunto: RES: permissão para reprodução

Prezado senhor Hélius,

Não autorizamos o uso de trechos do livro em questão, pois o material
ficaria muito vulnerável a cópias e isso poderia ocasionar o mau uso do
mesmo.

Atenciosamente,

Shisleyne Figueiredo
Depto. Direitos Autorais
Cengage Learning
Rua Werner Siemens, 111 - Prédio 20 - Espaço 3
Lapa de Baixo - 05069-900 - São Paulo - SP - Brasil

(11) 3665-9900 l
shisleyne.figueiredo@cengage.com

www.cengage.com.br

* * * * * *

Então gente... como puderam ver acima, quem leu, leu, quem não leu, se f...

Brincadeira...

Fiquei com tanta raiva que consegui fazer um resumo decente. Em breve será postado.

Não vou apagar o post na íntegra, pois não acho justo para com quem deixou comentários.

Hélius >>22:15 >>22/10/2008
Estou ligado..., mas pior que máquina de lavar roupa barulhenta. Pior, porque ela quando termina seu trabalho, consegue deixar as roupas limpas. E como eu não sou máquina...


E aqui cabem todas as analogias possíveis ao turbilhonamento.
Hélius >>22/10/2008 >>00:21

19 Outubro 2008

Maneiras de existir: preocupada, sintonizada, racional.

Texto removido, pois sua reprodução integral não fora permitida pela editora.
Hélius >>22:19 >>22/10/2008

14 Outubro 2008

Saindo dos trilhos

E ele saiu naquele fim de tarde sem saber se ia voltar.

Consigo apenas a roupa de corpo e calçados lustros prontos para canelear.

João já estava cansado de viver cansado esperando ver no que ia dar. João então saiu à rua, sozinho, sem causa, sem dono, apenas vontade de lutar.

E a noite seguinte então passou e pro dia seguinte João acordou com dor nas costas, mas não desaninou. Era o primeiro dia da sua guerra com o mundo.

Começou andando na chuva sem se cobrir. Quem passava olhava tentando descobrir quem era aquele louco.

Depois que o terceiro dia se ergueu, suas costas já não doíam mais, mas seu estômago lhe avisava que o protesto contra os impostos na comida também iria doer.
João não se abalou.

Continuou caminhando sempre pra frente, já estava distante de sua cidade. Não podia desistir, não tinha como voltar.

Mas João, sem olhar para trás, esqueceu dos amigos. Porém os verdadeiros não ficaram parados. Torciam por João.

Quando do décimo dia João olhou para os lados, só viu mato. Olhou para o chão e viu terra. Olhou para o céu e entendeu o que era Deus.

Enfim, depois de um tempo, João olhou para trás e o que viu? Viu que havia largado tudo e todos. Ninguém o havia acompanhado.

Para descansar da chuva João parou. Viu ao seu lado, depois da cerca, uma macieira e João sem saber o que era de alguém, roubou.

Movido pelo instinto, pela ferocidade e pela fome.

Farto, João seguiu em frente e viu que seu objetivo estava a poucos metros de seu alcance. Aquela terra planejada e construída em tão pouco tempo, sugou seus olhos num golpe circular de estonteante deslumbre.

Mas sem esquecer dos objetivos foi em frente e parou na porta. Viu-se refletido no fronte da entrada e percebeu que seus cabelos já não eram cabelos e sim madeixas longas e sujas. Percebeu que seus caneleadores já não estavam mais lustros. Mas pasmem: ele não se importou.

Ficou bravo depois de ter sido barrado naquela mesma porta em que se espelhou, por um homem de branco e vermelho, alinhado e armado de força branca.

Então João suspirou: fora julgado por seus trajes. Um psicólogo já mestrado e um músico já maestro, era agora só mais um?

Retirou-se para a borda de uma rampa como quem se esparra na sarjeta. Esperou. Aguardava um homem que por ele foi ajudado a subir aquela rampa um dia.

Pois bem: teve que aguardar mais uma lua para poder deslumbrar a sede de conquista da sua missão.

Pela manhã o homem chegou. Aquele que subiu a rampa do poder.

E sem dar muita importância passou por João. Ficara desapercebido.

João ilustrou seu nome no ar. Aquele mesmo nome que todo dia era criticado nos jornais.

Com um sorriso, o homem se virou e então João foi até ele e estendeu a mão como prova de patriotismo.

O homem retribuiu.

E foi então que João usou seu caneleador como prova de sua revolta. Enquanto o homem passava a mão no futuro hematoma, João tinha o rosto contra o chão e as mãos presas por argolas de metal.

Quando o homem se recompôs, quis olhar para o carro negro onde estava João.

Com um sorriso, João soletrou adeus e se virou para frente esperando por um novo futuro, por um novo objetivo.

Maquinando atrás das barras de ferro. Barras que separam a verdade e sua raiva do cinismo e sua mentira.

João era apenas mais um homem perdido na sociedade, perdido pelo mundo.

João.

Texto: Hélius de Moraes >>12:38 >>31/08/2001
Fotografia: Rafaella Broll >>08:07 >>14/10/2008

09 Outubro 2008

Do desejo. Ao sonho. À realidade!

Desejar algo, seria um reflexo consciente de tentar satisfazer um objeto primário faltante inconsciente, ou seja, o seio da mãe. Como esse não volta (a não ser que você seja um pervertido incestuoso), nunca conseguiremos estar satisfeitos e sempre desejaremos algo.

Ótimo: assim posso continuar com meus sonhos.

Quando eu realizo um sonho, a sensação que me vem é a seguinte: se eu morresse agora, não importaria. Nostálgico, nobre, sepulcral? Naõ sei, mas a sensação vai embora assim que lembro dos outros sonhos que ainda não realizei.

Durante cinco anos vim arrastando-me no curso de psicologia, sem saber como faria para dar conta de seu pagamento. Alinhei-me ao que eu queria e lancei. Guardei quietinho no meu coração, entre o endocárdio e o peri... brincadeira: não existe topografia do cantinho do coração! Whatever, alcancei. Agora o barco está correndo a todo vapor.

Durante sete anos trabalhei fudendo com meus valores para poder bancar o curso. Minhas ideologias eram sufocadas pelo modo de vida capitalista e por todas as contingências que nela estão embutidas. Alinhei-me ao que eu queria e lancei. Guardei quietinho no meu coração. Alcancei.

Durante dez anos guardei entalado na garganta as músicas que ilustraram minha adolescência, sem poder gritá-las aos ídolos de pedra que a gente sustenta. Alinhei-me ao que eu queria e lancei. Guardei quietinho no meu coração. Embora de maneira incompleta, alcancei. Tremi pra caralho, ofeguei, tirei foto, pedi autografo, cantei junto, quase chorei. Tava que era uma tiéte. Mas foi muito afudê.

Cada vez mais, essas situações reforçam meu entendimento que achei a receita do bolo. Nem todos saem do mesmo tamanho, nem todos tem o mesmo sabor. No entanto, mesmo embatumados, são gostosos de comer.

Alinhe, queira e lance. Guarde num canto de seu coração. Deixe lá: quieto. Um dia vem. Se não vier, é porque você tava afim mesmo era do seio da sua mãe, ou seja, o desejo não virou sonho.

Hélius >>18:33 >>09/10/2008

Pode os galhos que te cerceiam, para te assegurares do saber de quem tu és.
Hélius >> 01/10/2008 >>12:35

07 Outubro 2008

Associação Livre

Entre o limiar do controle.
Entre o limiar da consciência.
Entre a sanidade e a sobriedade.
Entre o confuso e a inanição.
Entre a falta de equilíbrio e a falta de vontade.
Entre a falta de juízo.
Entre a falta de paixão.
Entre a falta de vergonha.
Entre a falta de pudor.
Entre as dúvidas e o destino.
Entre as sombras e a luz.
Entre as flores e o abstrato.
Entre os sonhos e a realidade.
Entre os versos e a melodia.
Entre a certeza e a insensatez.
Entre as chamas e a penumbra.
Entre as lágrimas e a percepção.
Entre insights ou devaneios.
Entre tudo que aflora, um motivo em si me devora.

Por um momento os portões estiveram abertos: associação livre.

Hélius >> 22:08 >>03/10/2008

01 Outubro 2008

Frutos de galhos secos

A passos largos caminho sem rumo,
numa estrada infinita, sem saber onde vou chegar.
Por onde olho, não encontro galhos, tampouco árvores.
São poucas as sombras para me abrigar.

Às vezes encontro frutos.
Não sei direito que sabor tem.
E na ânsia de conhecer seu gosto,
caio na besteira de experimentá-lo também.

É a fome!
A fome que nutre essa caminhada.
Pois se o caminho é infinito,
o que mais poderia me mover?

Sai do meu coração!
Expulso-te agora! É uma ordem!
Enquanto eu entender que Deus está dentro de mim,
reempoderarei-me e direi: cai fora!

Quero de volta o meu domínio.
Preciso da tranqüilidade de outrora.
Não tenho tempo para instabilidades,
porque meus passos não mudaram: continuam sendo largos.

Hélius >>texto >>01/10/2008 >>12:27 >>desenho >>07/06/2005 >>02:48

25 Setembro 2008

Verbo do dia:

C - H - A - F - U - R - D - A - R.

Vamos?

(Aí depois, bebemos um uísque...)

24 Setembro 2008

Essência x Existência x Identidade

Essência é tudo aquilo que se mantém idêntico, constante, permanente, devido as suas propriedades imutáveis. O ôntico.

A existência, portanto, advém da percepção da essência do objeto observado. Dizemos que algo existe, pois podemos constatá-lo em essência e atribuí-lo significação. O ontológico.

No entanto, segundo a vertente existencialista, esses papéis se invertem quando falamos em relação ao ser humano: primeiro é preciso existir, para depois ser-lhe atribuído essência.

E como se atribuem essências ao ser humano?

Dessa questão, advém a formação do conceito de identidade.

“Eu”, sou um objeto do social, enquanto entendo/recebo meu papel da sociedade.
“Eu”, sou um sujeito no social, enquanto reafirmo/incorporo essa atribuições fornecidas pelo contexto social ao qual estou inserido, desde que nasci até o momento atual.
“Eu”, sou uma fantasia, diante das projeções criadas pelos outros em relação a minha pessoa, que assim me transformam em objeto. Ao mesmo tempo, constituo-me como sujeito quando eu incorporo essa idéia que me foi atribuída, entendendo-a como contribuinte/constituinte da minha personalidade.

Portanto, as essências que constituem a minha identidade sempre serão provenientes de uma vertente externa e constituídas de uma díade circular infinita, formada de atribuições (enquanto “eu” objeto) e confirmações (quando incorporo as fantasias que são atribuídas à constituição do meu “eu” e quando personifico o papel social a mim atribuído). O que impulsiona a díade a seguir seu rumo circular, é a possibilidade da metamorfose, ou seja, a constante mutação da constituição de sua identidade por causa da sua percepção às atribuições e confirmações.
Logo, você só é você mesmo (apodera-se do seu “eu”), enquanto metamorfose.

Em outras palavras, Raul Seixas estava certo em falar sobre “metamorfose ambulante” e disso podemos concluir que nunca seremos autênticos em relação a nossa personalidade.

Hélius >>22:37 >>24/09/2008

18 Setembro 2008

Devido a superlotação de informações acadêmicas, este encéfalo encontrasse temporariamente impossibilitado de realizar novos insights ou devaneios.

Desculpe o transtorno.

À Direção.


No entanto, existem 87 insights ou devaneios abaixo.

23 Agosto 2008

À moda Miguel...

Vou a passos largos.
Tenho medo de ser assaltado.
Faço força para evitar o zigue zague.
Culpa da concentração alcoólica em meu sangue.

Paro!
É para ceder um cigarro ao catador de latas do terceiro turno.

São 03h30min e eu acredito que vou chegar a tempo.
Ofego.
O cigarro roubara o pouco da resistência que eu tinha.
À medida que eu caminho, o frio esquenta, mas minhas mãos não.

Da atormentada e esfumaçada casa de sons estroboscópicos sigo para um recinto onde pressuponho encontrar meus pares de academia.

No caminho digo a eu mesmo: “- Que loucura ir a pé até lá. Eu só posso estar bêbado mesmo!”.

Próximo do boteco, começo cantarolar “Tempo perdido”.
Lembro do anjo. Ai ai...

Ao chegar ao Tamborim, não me deixam entrar. Afinal a festa acabara e só estavam esperando as pessoas irem embora para fechar.
Ainda bem que eu não pude entrar.
Eu não teria dinheiro para sair.
Vai entender...
Dou uma esticada com a cabeça e não avisto formas conhecidas.
Menos mau: se eu encontra-se o que eu queria iria me arrepender.
Quando bêbado, a gente costuma soltar os freios e de uma forma ou outra, procura encrenca.
Seja física ou emocional.

No estacionamento vejo o carro do Peixoto.
Reconheço pelo singelo adesivo no vidro traseiro.

A lâmpada incandescente imaginária que se sobrepõe em minha cabeça indica o caminho: estão no Bonde.

Na porta do distinto, avisto rostos conhecidos: El Salvador vai saindo com La Tica e o Yasser Arafat cuida da Fanfarrona que está quase se entregando ao regurgito.
Entro.
O Porteiro tira um sarro com meu nome.
Tudo bem, ele é gente fina.
Subo.
Oi para o Marcola.
Oi para Pimentinha.
Oi para futura Baby Sitter.
Danço.
A futura Baby Sitter me pede ajuda para escapar de uma possível troca de fluídos orgânicos indesejados com um italiano chiclete recém chegado.

Pego uma cerveja.
Vai-se em cinco minutos.

Queimo a mão da pimentinha com meu cigarro.
(Que idiota).

Localizo o Peixoto.
Está no canto da sorveteria, trocando fluídos orgânicos com a moça dos dedos finos.
Espero uma pausa para poder lhe cumprimentar.
Sua expressão de satisfação ao me ver transcende.
A recíproca é verdadeira.

Pego outra cerveja.
Danço mais um pouco.
Novamente queimo a mão da Pimentinha.
Obviamente, sem querer... again.
Tiramos umas fotos.
Lembranças digitais.
A cerveja acaba.

O Cesárius está lá no balcão do boteco.
Ambos bêbados, conversamos sobre abrir um negócio de tecnologia.
Eu saio de lá com mais uma cerveja.

Danço mais um pouco.

Percebo que o halls já não injeta glicose suficiente no meu sangue e o desequilíbrio vence.
Tento fazer o boteco parar de girar, deitando-me no sofá da sorveteria.
Flashes registram esse momento.
As pessoas sabem que são raros e se aproveitam disso.
Tem que aproveitar mesmo.
É divertido.

O motorista do bonde pede para que eu tire os pés do assento da sorveteria.
Afinal, foram reformados há pouco e meus calçados estavam sujando o tecido.
Levanto de supetão.
O bar gira novamente.
Pago a conta com plástico.
Vou embora.
Não me despeço de ninguém.

O taxista troca algumas palavras que eu não faço a mínima idéia do que se tratavam.
Não lembro.

Demoro um pouco para abrir a fechadura.
Também demoro em fechá-la (bêbado sim, irresponsável não!).

Tiro as roupas.
Frio "paca".
Debaixo dos cobertores o mundo gira.
Lembro do Raul.

Antes de adormecer, divago pensando em como foi bom estar na companhia dos meus amigos.
Cada um com seu jeito.
Cada um único.

Desligo o botão do “foda-se”.

Durmo.
Hélius >>21:29 >>23/08/2008

19 Agosto 2008

Das peças que a carência nos prega

Sei que é perigosa, mas ao mesmo tempo lhe procuro. Sei que o que aconteceu fora só daquele momento. Contudo, em minha cabeça ainda reverberam pensamentos.

Finjo não saber quais são.

Que calhordice é essa que a mente nos prega?

Sabemos que o fruto é proibido, por todos aqueles motivos que você já conhece, mas mesmo assim, queremos experimentá-lo – às vezes já pela segunda vez.

São das vezes em que passamos muito tempo sem ser valorizados e, de repente, quando algo ou alguém nos coloca de novo na nossa posição de ser humano querido (no sentido literal da palavra), somos tomados por uma sede de sugar toda a gota possível dessa fonte. Mesmo sabendo que a fonte não presta e que na sua última gota... nos afogamos.

Hélius >>21:45 >>19/08/2008

13 Agosto 2008

Crenças Silenciosas

Joãozinho tinha cinco anos. É mais ou menos nessa idade que as crianças começam a questionar o porquê das coisas.

Certa vez, ao observar sua mãe cortando a cabeça e o rabo do peixe para o assado, questionou:
- Manhêêêêêê! Por que a senhora corta o rabo e a cabeça do peixe antes de assar?

Sua mãe parou o que fazia e levou o dedo indicador até os lábios, mirando os olhos para cima enquanto pensava na resposta. A seguir, falou:
- Ué, Joãozinho?! Porque a sua avó me ensinou assim.

Insatisfeito com a resposta, Joãozinho foi até a sua avó e perguntou:
- Vóóóóóóó! Por que a senhora ensinou a minha mãe a cortar o rabo e a cabeça do peixe antes de assar?

Sua vó, em ato parecido com o de sua filha, respondeu:
- Por que eu ensinei a sua mãe a cortar o rabo e a cabeça do peixe antes de assar?!?! Ora meu neto, minha mãe que me ensinou a fazê-lo assim! Sempre ficou delicioso. Por isso ensinei sua mãe da mesma forma.

Descontente, Joãzinho procurou sua bisavó para sanar sua dúvida. Questionou:
- Bisaaaaaaaaaa! Por que a senhora ensinou a vovó a cortar o rabo e a cabeça do peixe antes de assar?

Sua Bisavó, sem pestanejar respondeu:
- Ora Joãozinho: eu não ensinei nada a ninguém! A primeira vez que eu assei um peixe, a fôrma era muito pequena e não cabia o peixe inteiro. Então cortei sua cabeça e seu rabo, já que são partes que geralmente não se aproveitam. Depois de um tempo, quando passei a usar fôrmas grandes, eu já havia me habituado a cortar essas duas partes. É um hábito, meu filho. Só isso.

A atitude da bisavó de Joãzinho é rara. Explicar a uma criança o porquê das coisas demanda certa escolha de palavras e paciência. Geralmente os adultos respondem apenas com um seco: “- Porque sim!”. Então a criança cresce sabendo apenas que aquilo é o correto. Não sabe o porquê, mas é correto. Assim criam-se as crenças silenciosas, que mais a frente, influenciarão o juízo de valor que ela fará sobre as situações que enfrentar.

Pena que perguntar o porquê das coisas quase desaparece com o passar dos anos. Às vezes, termos essa atitude infantil, evitaria que fizéssemos mal juízo de valor sobre crenças que não nos pertencem, mas que atingem diretamente o outro devido a seu aprendizado na infância.

Portanto, às vezes é bom lembrar: o que é bom para mim, pode não ser bom para você.

Hélius >>22:28 >>13/08/2008
obs: exemplo proveniente de um colega de sala de aula que citava o comentário da Profa Dra. Cristina Lhullier.

28 Julho 2008

Um ensaio behaviorista humanista

Você extrai dos outros aquilo que quer enxergar.

Mexamos um pouco: eu sou aquilo que você quiser enxergar.
Ou ainda: eu sou aquilo que você quiser que eu seja.

Independente do que eu lhe disser, sua concepção a cerca da minha pessoa não mudará tão cedo. Você até poderá refletir a respeito, mas não mudará em essência. Esforcesse para que a sua percepção chegue logo ao segundo processo.

Por isso, nesse momento, sou aquilo que você quer enxergar.

Mais racional. Mais emotivo. Como você deseja?

Comportamo-nos pelos desígnios das contingências, sejam elas provenientes dos outros ou do ambiente. Então, pergunto: o que você quer enxergar nos outros?

Agora: se eu sou aquilo que você quer que eu seja, então eu deveria amá-lo.

Talvez daí venha a máxima que diz: “Amai o próximo”.

Talvez daí oriundo sejam as segundas intenções: eu amo o próximo para ser bem visto por ele.

Você quer ser amado pelo seu próximo?
Você está pronto para receber amor?
Você está pronto para dar amor?

O que você quer?

Isso não importa, pois no final, quem decide são os outros, lembra?

O âmago das suas motivações provém amiúde para superar as expectativas do próximo - e não para satisfazer a si próprio.

Portanto, repito, ame o próximo. Quem sabe ele não está à espera do seu amor para alimentar-lhe de motivações à vida?

Apesar de ser um pouco utópico, é no mínimo um exercício introspectivo interessante.

Creio que seja - além de amor próprio - o que todos precisam para sobreviver: o amor do outro.
Hélius >>22:58 >>28/07/2008

14 Julho 2008

Lamento

Lamento por teres de ir tão cedo.
Lamento por não poderes mais ficar aqui, nesse local onde a festa continua... deve ser diferente daí... perto das estrelas.

Lamento porque não poderás ver o que se sucederá.
Comigo, contigo (pois não ficaras) e com os outros.
Lamento, por ocasião dos pensamentos que permeiam minha cabeça.
Lamento, por ainda não saber como os dissipar.

As pessoas continuam a gritar por aqui.
Também ainda beijam, correm, brigam, fumam, bebem, transgridem, choram...
Às vezes falta-lhes tempo até para comer.

Eu ainda deveria estar lamentando?
Sim, ainda lamento por te ver assim: de pé por causa do pó. Ou seria deitado até virar pó?
Não sei... apenas lamento.
Não tenho certeza se é o melhor a se fazer.
Na realidade, acho que ninguém sabe.

Somente depois que acontece é que se aprende: não estamos livres de lamentar.

Já que estamos fadados a lamentar em indeterminado momento, nos resta, pois então, tentar escolher o quanto iremos lamentar para não nos tornarmos mais tristes, amargurados; com olheiras que denotem nossa confusão mental, refletida em nosso intestino.

Lamento... por todas elas... lamento até por mim.

Não escapo ileso dessa convenção.
Também sinto seus reflexos. Bem por isso... lamento.
Às vezes por não conseguir contornar.
Às vezes por não conseguir progredir.

Lamento não ter entendido sua mensagem.
Pedi-lhe um auxílio e enviastes algo sublimado... por quê?
Lamento, mas não entendi.

Prometo refletir mais um pouco sobre tudo que aconteceu. Quem sabe um dia eu compreenda a luz que emitistes e então, consiga parar de lamentar... por aquilo que meus olhos não conseguiram ver, por aquilo que não sei se deveria falar.

Enquanto esse dia não chega (o dia de compreender tuas mensagens subliminares), contento-me com o que me destes, pois além de inócuo, foi bom... e por isso não lamentarei.
Apenas seguirei buscando amadurecer para tentar auxiliar melhor quando me pedirem ajuda. Prometo!
Bem como quando eu não souber o que fazer, direi:
“-Lamento!”.

Lamento e só. Não terei mais que escolher o que falar.
Apenas lamentar por não poder auxiliar.
Apenas lamentar por não saber como prover.
Apenas lamentar e nada mais.

Tentarei não apontar teus defeitos.
Tentarei não chegar a conclusões precipitadas.
Tentarei não julgar pelo que me convém, para depois não sair por aí e dizer: “-Lamento, mas não era bem isso que eu esperava.”.

Posso acabar machucando alguém assim. E depois, depois que se fere não adianta lamentar, chorar ou pedir desculpas. As coisas normalmente não voltam a ser as mesmas depois que se tira alguém de sua zona de conforto.

O perdão é complexo demais para se ceder. A desconfiança há de habitar.

Bem como a lamentação que povoou esse texto.

Lamento se não era isso que esperavas de mim.
Lamento se não era isso que querias ler.
Lamento se não entendeu o que eu quis transmitir.
A palavra é minha e ajudará a tecer menos lamentações numa próxima vez.

Portanto,
por hoje,
apenas lamento.

Hélius >> 21:52 >>14/07/2008

01 Julho 2008

Bom dia

Que seja, o dia de hoje,
diferente do dia de ontem!
Porque se for igual,
não terá graça.

Que seja igualmente, o dia de hoje,
imprevisível como o futuro!
Porque de previsível,
já basta o homem.

Que seja, o dia de hoje,
algo mais do que pingos de vida escorridos!
Porque de desperdício,
já nos bastam as lágrimas.

Que seja, o dia de hoje,
incalculável de harmonia!
Porque de guerra,
nosso mundo não sente falta.

Que seja, o dia de hoje,
repleto de novidades!
Porque assim, amanhã,
seremos mais maduros.

Que seja, o dia de hoje,
repleto de compreensão!
Porque de ignorância,
só sobrevivem os "cegos".

Que seja, o dia de hoje,
mais belo que qualquer outro!
Porque assim, o amanhã,
certamente será maravilhoso.

Que seja, o dia de hoje como for, como tiver de ser!
Contanto que seja lindo.
Contanto que seja único.
Contanto que seja pleno.

Hélius --> 08:12 --> 26/03/2006
*repostado

24 Junho 2008

A eternidade através da inércia

Devotar-se-a então a um só Deus.
Ó santa, desnuda de face.
Ó virgem, despida de coragem.
Ó alma, desprovida de emoção.

Quereis não mais maltratar ninguém.
E quando olhares no rosto de alguém, serás para tal, como o desabrochar de uma borboleta de seu casulo.

Quão lindo e possante será teu semblante; quão limpo e sereno será teu sorriso; quão fértil de cativa e sincera de carisma serás, tal como da primeira vez que fostes e se perdeu.

Mas das curvas que a vida te ofereceu, guardas apenas o empenho em desmembrá-las e não a inércia que tentou te manter fora do teu caminho, fora da tua comiseração, da tua expontaneidade.

Refletindo sempre a certeza, porém muitas vezes confusa.
Ó santa beata, sempre soube que por de trás do manto cristalino nunca fora pura ou quiçá desprovida de medos, infortúnios e considerações enfadonhas a respeito do ser.

Quisera Deus não tê-los feito assim... cheios de dúvidas.
Quisera Ele nem tê-los. Mas, não ria agora; apenas leia com atenção: que graça teria para Ele não tê-los, quem dirá então, em tê-los sem dúvidas?
Quanto a sua onipresença ou sua eternidade, quem indagaria?

Não ria muito Santa... dizem que ele pode se ofender.
Talvez desmereça-te a beatificação e quando fores a Sua porta, Ele dirá: "-Saia! Não tenho senso de humor. Volte para chafurdar na lama de onde viestes, pois agora é Minha vez de rir-te".

Crueldade à parte Santa, sabes que Ele não seria capaz disso.
A eternidade é uma promessa e Ele sabe que um dia descobrirás por si só como tê-la, assim como soube fazer a curva, sem cair para o lado da inércia.

Hélius >>06:16 >>15/07/2006

18 Junho 2008

Um avatar humano e outro social

Como um sofisma outrora exacerbado,
vinde a luz até mim intumescida.
Cheia - de mãos cálidas - pestanejava,
atos até então desconhecidos.

Póstumas névoas pairavam sobre as sobrancelhas.
Auguras postulavam seu olhar.
Pérolas saíam de sua boca.
Asas brotavam de seu calcanhar.

Ó anjo, até então emudecido!
Por que só agora, viestes me falar?
Calado fora outrora mais bonito.
Calado fora outrora eu te amar.

Convence-me do fato consumado.
Conta-me algo e jura: "- Não é mentira!".
Sonha sobre histórias duradouras.
Vislumbra outras vidas passageiras.

Sai daqui ó ódio enclausurado
pela minha boca. Eis o caminho!
Se a porta de entrada fora uma vez aberta,
agora fechada encontra-se a saída.

Tampouco temo pela tua felicidade.
Tampouco sinto por ti amor.
Apenas sonho, aspiro simplicidade.
Apenas sonho, aspiro e nada mais.

Chega! O apito faz doer meus ouvidos.
Cala boca sua besta fera!
Tua voz já não traz volúpia.
Tua voz já não me paquera.

Perturbado, eu? Serão as luzes sob teu olhar?
Seria então o conceito do mundo,
que te fizestes assim me denominar?
Calhordas! Estúpidos! Cessem as confissões!

Neurônios a mil, fervendo.
O sono longe de chegar.
As horas passam e de repente...
outro dia venho deslumbrar.

"-Bom dia!" - Diz-me outro.
Penso comigo: dias existem?
Por que interromper a continuidade?
Por que parar para contar?

Vou parar com essas nuances ensandecidas.
Vou parar para voltar a sonhar.
Vou parar com os conflitos não resolvidos.
Vou parar para voltar a sonhar.
Hélius --> 03:56 --> 15/05/2006

10 Junho 2008

Toque em mim

Eu achei a palavra que eu queria.
Encontrei o conforto que eu procurava.
Chamei quem achei que merecia.
Apareceu então, alguém apavorada.

Senti que jamais havia
escutado isso em nenhum outro lugar.
Um grito que de ti provinha, de ódio, raiva;
esperando que viesse consolar.

Há quanto tempo queria
aparecer de forma peculiar.
Aconteceu assim de repente.
Não existia forma, nem planos a se mudar.

Tudo vem com seu devido tempo.
Tudo acontece como o destino quer.
Nada chega fora de sua hora.
Nada acaba como num jogo de mal-me-quer.

Começa o dia, e mais desafios pela frente.
Não conto mais o tempo que urge,
pois o caminho que importa para tanta gente,
já não é aquele que quero trilhar.

Se achei que do fim sabia tudo,
desde o início percebi que estive errado.
Eu pensei que dos outros deveria esperar pouco
e com certeza por muitos fui mal interpretado.

Tudo em nós desperta a inveja.
Tudo em nós instiga a cobiça.
Tudo em nós um dia enjoa.
Dos males o pior, fico com a preguiça.

Quero ter o direito de me expressar
Sem me preocupar com o que disse.
O efeito que vai ter... se é que terá.
É você quem vai dizer se irão gostar.

Seja bem vindo ao meu mundo.
Esse aqui não é o melhor lugar.
Aqui se coloca dúvida em tudo.
Nem a tua palavra vai te salvar.

Hélius >>12/05/2004 >>00:16

03 Junho 2008

A medida do amor e ódio

Fato: não existe amor sem ódio!

Você nunca brigou com a pessoa que você ama? Não?! Ok, vai... ao menos já discutiu, né? Então: mesmo amando, já sentiu ódio.

Por ser um sentimento ruim, o ódio é difícil de ser admitido, no entanto é normal e até certo ponto saudável.

Eu também já comprovei que para sentir amor às vezes é necessário ter ódio. Porém cuidado. Take it easy: se os motivos que te levam a ter ódio forem mais fortes daqueles que te trazem amor, a bagunça está feita.

Você começa a pôr na balança tudo de bom e ruim que viveu com a pessoa amada – e às vezes odiada – e percebe que há um equilíbrio entre os pesos.

Sim: amor e ódio iguais, peso a peso. Letra a letra - quatro por sinal.

Certamente, se terminou por ódio sente falta do seu amor. E... se terminou por amor, fica com ódio; de si mesmo... é claro.

Tantas vezes conversaram, tantas vezes discutiram e tantas vezes brigaram. Se parar por aqui, trata-se de um decréscimo que termina em ódio. Porém, poderia terminar com amor, se continuasse assim: ...tantas vezes brigaram, tantas vezes voltaram a se abraçar, tantas vezes voltaram a se beijar e tantas outras, voltaram a consumar o seu amor. Gozado, né? (é pra ser ambíguo mesmo).

E assim continua o ciclo de amor e ódio: conversa, discute, briga, abraça, beija, transa, conversa, discute...

E aquele ditado que diz: “o amor é cego”, está correto.

Portanto, deixo aqui seu contraponto: “o ódio é para os burros”.

Sim, porque o burro é burro por ter ódio e não consegue deixar de ser burro, porque é burro. Porém, o cego tem o amor como cão guia e apesar de não conseguir enxergar, sabe que será guiado à felicidade.

Moral da história:
Ame mais!
Odeie menos!

Hélius >> 25/06/2005 >>13:02

27 Maio 2008

Verbo do dia:

F - O - R - N - I - C - A - R.

Vamos?

(Às vezes o "espírito de porco" incorpora e as palavras escorrem pelos dedos...)

16 Maio 2008

A culpa é dos feromônios

Aluno de psicologia sofre. Principalmente se o curso é diurno e dominado pela alma feminina.

Sofre, porque ao mesmo tempo que se trata de um curso que demanda introspecção e abstração, há ninfetas em corpos esculturais presentes no mesmo ambiente onde você se encontra.

Numa hora você está prestando atenção na professora falando daqueles velhos teóricos centenários e, em seguida, flagra-se olhando... vertiginosamente, escancaradamente, impiedosamente para ela: uma fêmea que se sobressai das demais. Nem sabe que está sendo observada, admirada, querida, prestes a ser devorada. Então continua ali: roendo suas unhas, enquanto cintila um anel prateado em uma de suas mãos; pés levemente inclinados e rostinho de quem não está entendendo muito bem a matéria. Nem presta dar mais detalhes.

São meninas que se acham mulheres, no auge de sua puberdade, exibindo toda sua saúde. Gosto de chamar: little teenagers. Até porque, como diria meu amigo “Miguel”: “-Para elas nós já somos os tiozinhos da sukita”.

Penso comigo: tu me desvirtuas, tu me desconcentras, tu me tiras dos trilhos. Contudo: puta que pariu! Esse anel freia meus instintos. (sim... há moralidade nesse texto).

Por mais que digam que homem só pensa em sexo (e esse texto pode reforçar isso), insisto: não é verdade!

Há uma parte do meu cérebro que está ali: consciente e voltado para a aula. Mas que culpa tenho eu se os seus malditos feromônios invadem minhas narinas e sugam minha atenção?

Portanto, vocês também têm uma parcela de culpa. Quem manda ficar liberando feromônio por aí? (rsrsrsrs)

No fundo, no fundo, todos sabem que não é uma questão de culpa. Essa dinâmica faz parte do curso dos rios da humanidade. Charles Darwin explica.

Há milhares de anos atrás, bastava a mulher estar de quatro - ingenuamente fazendo suas atividades do dia-a-dia - para ser “abatida”. Quando percebia já era tarde: “créu”. E ninguém se sentia culpado ou preocupado se ambos gozaram, ou ainda se um iria telefonar para o outro no dia seguinte. Era apenas se distrair e pimba.

No entanto, a sociedade evoluiu. De repente, uns crazy men perceberam de forma mais concreta: “- Oh... eu penso.” e passaram a recalcar seus instintos.

Ok, não foi bem assim.

O importante é ressaltar que ao observarmos a teoria da seleção natural com mais atenção, podemos concluir que a sociedade evoluiu mais rápido do que os indivíduos que a constituem.

Algumas espécies levam milhares de anos para adaptarem-se ao ambiente que se modificou. Aquele velho exemplo da girafinha que tinha um pescocinho e comia plantas baixas. Como acabaram os alimentos rasteiros, foi mutando até seu pescoço atingir o comprimento ideal para alcançar comida, agora disponível somente no topo das árvores.

Agora preste atenção: o instinto ainda não se moldou por completo aos dogmas morais.

Ao passo que a sociedade exige contenção, o organismo ainda recalca. Se não recalcasse, seria um sinal de mutação?

Enfim... você, homem ou mulher, que leu até aqui e entendeu mais ou menos a idéia, pode concluir: devorar com os olhos é natural, é instinto... é CULPA DOS FEROMÔNIOS!!! (rsrsrs)

Hélius >>20:07 >>16/05/2008

08 Maio 2008

Mais um exemplo sobre os "tropeços da percepção"

Na balada, a mulher se afasta de seu marido para cumprimentar um casal que se destacava pela maneira que dançavam. Ao chegar próximo do homem ela diz:
"- Belo suingue!"
O homem responde:
"- O quê? Fala mais alto que eu não consigo te ouvir... a música está muito alta!"
Então ela repete um pouco mais alto e toda sorridente:
"- Vocês têm um belo S.U.I.N.G.U.E.!"
Então o homem olha para sua parceira dançarina com "aquele" olhar e ao direcionar-se para a mulher que os elogiava, respondeu:
"- Sim, fazemos!"
Hélius >>20:01 >>08/05/2008

04 Maio 2008

Tropeços da percepção

Existem dois processos pelos quais uma informação (sensação) se transforma em percepção em nosso cérebro: o primeiro perpassa a amígdala até o hipotálamo. Em seguida utilizamos de nossas experiências para torná-lo um sentimento mais complexo (qualificado e/ou adequado).

O primeiro processo elicia respostas imediatas ao estímulo apresentado. Pode ser através de um olhar, um tremor de algum músculo facial ou até mesmo no morder dos próprios dentes. Tendo em vista que essa resposta dá-se em 1/64 avos de segundo, concluí-se que não somos capazes de dissimulação nesse primeiro momento. Não conseguimos esconder nosso racismo, nosso vilipendiar, nossa decepção, nossa alegria ou nossa satisfação diante de determinados estímulos. Exemplo prático: sua sogra vem lhe visitar e você não gosta dela. Ao cumprimentá-la sorrindo você pergunta se está tudo bem ao mesmo tempo que morde os dentes de raiva. Outro exemplo: quando você sente que suas mãos estão suando diante de uma situação sob um contexto que lhe deixe nervoso. Ou ainda: quando você olha alguém e ao perceber seu olhar sério, atribui-lhe arrogância, quando na realidade trata-se de timidez.

Você não tem controle sobre o seu sorriso amarelo, sobre o suor que sai pelas suas mãos e tampouco pela interpretação errada a cerca da informação que o rosto de alguém lhe passa. O organismo recebe um estímulo e ao mesmo tempo elicia uma resposta à situação.

Tudo bem... passados os primeiros momentos, você começa a racionalizar: “putz... é minha sogra, mãe da minha esposa. Se não fosse por ela, talvez eu não tivesse essa mulher maravilhosa ao meu lado”, “eu vou ‘tirar de letra’ essa situação... não preciso ficar assim tão nervoso... da outra vez foi tão fácil” ou ainda “sabe que quando lhe conheci achei que você era um baita arrogante, mas me enganei... sua seriedade deve-se a sua timidez”. E assim dá-se o segundo processo: uma questão de elaboração.

Poderíamos dizer que o primeiro processo é inato, de proteção e o segundo é mais elaborado, pertinente à socialização.

Ok... agora chega de pedância acadêmica. O objetivo desse texto é elucidação do senso comum e não artigo, até porque ficaria a mercê de tropeços caso optasse pela segunda alternativa.

Como é horrível quando temos a impressão de algo estar acontecendo com alguém, mas na realidade a situação presente é outra, contrária ao que foi percebido.

Diariamente cobro-me uma interpretação gesticular. A linguagem do corpo me fascina. Procuro confiar muito no meu “sexto sentido” (o primeiro processo). Porém, assim como aprender uma segunda língua é um pouco difícil, ainda estou errando em interpretar alguns “textos” que o cotidiano me apresenta. Quando percebo já é tarde.

O que consola é aquele velho ditado que diz mais ou menos assim: “melhor se arrepender do que se fez, do que se arrepender de não ter feito”. Até porque as minhas intenções sempre são as melhores. No entanto, é preciso entender que às vezes, as intenções devem ficar apenas no campo do "intencionamento" e não no campo da ação.

Hélius >>22:49 >>04/05/2008

20 Abril 2008

Quem és?

Lê agora o que para ti escrevo. Como sabes que é para ti? Tiveras, pois, a idéia incorreta!

Por não seres a rosa mais bela, mas a menos espinhenta, foste tu a escolhida. A redentora de alguns poucos versos meus. Responsável pelos momentos de avoado.

O vermelho em minha face caracteriza a mudez em meus lábios. Antes fossem desinibidos com a tua presença.

Aflorados em mim sentimentos de tolice ou serão de paixão?

Descrevo-te a inveja como um pecado capital.

Quem sabe Deus não a criou para ser minha maya.

Mesmo assim, oculto a modéstia e afirmo que o espírito continua grandioso e fraterno a ponto de aceitar tua opinião.

Saberás que és tu a quem dedico tinta nessa folha, quando já não houver mais nenhum empecilho. Sendo esse, uma montanha insuperável por Maomé.

Se disso faço tragédia, pergunto-te:
“-E o futuro, serão só alegrias?”


Hélius >>04:37 >>15/05/2000

19 Abril 2008

Enquanto você fala, eu associo.

Sempre penso comigo: “o que você quer dizer com isso que você está me dizendo agora?”.

Não que eu seja uma pessoa desconfiada. Parece-me inato. Sou curioso. Apenas não gosto das reticências... quando não provém de mim. (rsrsrsrs)

Faz parte da minha personalidade, bem como, é uma exigência da minha futura profissão.

Portanto, não diga que eu penso demais.
Estou apenas fazendo reflexões a cerca do que está sendo dito, para ver se eu descubro algo que você disse, naquilo que você não disse. ;p


Hélius >>18:20 >>18/04/2008

17 Março 2008

Um racionalista chamado Zaratão


Zaratão era um sujeito que acreditava ser parte do universo, assim como uma célula é parte de um corpo. Ele entendia que - assim como seu corpo - sua mente estava a serviço da natureza para um bem maior: o perfeito andamento do ciclo da vida.

Foi depois que Spinoza postulou que o universo é o próprio Deus, através das comparações de homens a células e planetas a organismos, que Zaratão passou a ver o mundo com esses olhos. Entendeu a sua efemeridade. Compreendeu que somos parte de algo maior e de impossível comprovação científica.

Zaratão tinha certeza naquilo que acreditava ser o significado da existência humana, mas nem por isso negligenciava postulados alheios. Para ele, toda forma de conhecimento era bem vinda, pois gerava um movimento de intelectualização social.

Ele tinha certeza que certas questões humanistas, nunca seriam explicadas cientificamente. Seriam apenas tentativas de justificar as coisas pertencentes ao mundo, quando para ele, o mais importante era o todo – que vai além da compreensão de mundo.
Hélius >>01:11 >>17/03/2008

11 Março 2008

Trilha sonora para sair pelado na rua:
"Marcianos Invadem a Terra" - Legião Urbana
(Uma outra estação)

João

"A verdadeira alquimia não consiste em transformarmos a matéria, mas sim em transformar os nossos sentimentos toscos em reflexos humanos da Divindade Suprema.

Somos um pouco do que fazemos, mas somos - principalmente - o que fazemos para mudar o que somos.

Quem pratica esta auto-realização é um verdadeiro alquimista.

Esta é a minha opinião.

Um abraço.

Hare Krsna!

Jefferson Eduardo Cardoso"

>>janeiro/2000
Nesses últimos dias...muita saudade de você meu amigo... muita...

15 Fevereiro 2008

Deus em nosso cérebro?

Áreas da ciência neurológica (neurofisiologia, neurobiologia e neuroteologia), ao longo de anos, têm procurado mapear o cérebro humano.

Recentemente, após experiências com alguns religiosos, verificaram que a área mais afetada durante interrelações com o "divino" - ou situações dessa atmosfera - é a do lóbo temporal. Um neurocientista chegou até a desenvolver um capacete eletromagnético que estimula essa região possibilitando aos seus usuários uma "experiência direta com Deus".

Ainda que não seja possível afirmar com veemência que nossas experiências de âmbito religioso tenham apenas um cárater neuronal, fica a pergunta: e se tiverem, que conseqüências podemos esperar dessa nova conjectura?

02 Fevereiro 2008

Observar a história para não repetirmos os erros do passado...

“Moenickes e eu fomos diretamente às valas. Ninguém nos impediu. Ouvi tiros a curtos intervalos por trás de um montículo de terra. As pessoas – homens, mulheres, crianças – que tinham descido dos caminhões despiram-se por ordem de um SS que empunhava um chicote, e, de acordo com suas indicações, deixaram suas roupas em três montes separados: sapatos, vestidos ou ternos, roupas de baixo. Vi um montão de sapatos – uns oitocentos a mil pares – e grandes pilhas de roupas de baixo e costumes.

Sem um grito, sem uma lágrima, essas pessoas se despiam, reuniam-se em grupos de famílias, beijavam-se, despediam-se e aguardavam o sinal de outro homem das SS que se achava junto às valas e também empunhava um chicote. Nos quinze minutos que passei perto das valas, não ouvi uma queixa, um pedido de misericórdia. Olhei com atenção particularmente para uma família de umas oito pessoas (...) Uma senhora idosa, de cabelos brancos, segurava nos braços uma criança de um ano: cantarolava para ela e fazia-lhe cócegas; a criança ria, satisfeita. Seus pais a contemplavam com os olhos úmidos. O pai segurava a mão de um menino de 10 anos e falava-lhe carinhosamente. O menino esforçava-se para conter as lágrimas. O pai apontou para o céu, afagou-lhe a cabeça, parecendo explicar-lhe alguma coisa. Mas, nesse momento, um homem das SS postado junto à vala gritou qualquer coisa a seu companheiro. Este separou umas vinte pessoas e ordenou-lhes que fossem pra detrás do monte de terra. A família de que falo fazia parte desse grupo. Ainda me lembro de uma jovem esbelta, de cabelos escuros, que, ao passar por mim, apontou para si mesma e disse: ‘Vinte e três anos (...)’

Contornei o monte de terra e descobri a imensa sepultura. As vítimas jaziam tão comprimidas umas contra as outras que a gente quase só lhes via as cabeças; e de quase todas essas cabeças o sangue escorria sobre os ombros; algumas das vítimas ainda se mexiam. Algumas levantavam os braços e viravam a cabeça para mostrar que ainda estavam vivas. Olhei para o homem que atirava. Era da SS. Estava sentado à beira da vala, balançando as pernas, a metralhadora sobre os joelhos e fumando um cigarro. As pessoas, completamente nuas, desciam por uma escada escavada no barro da vala, hesitavam um pouco e subiam por sobre as cabeças dos que ali jaziam, até o lugar indicado pelo SS. Deitavam-se junto aos mortos, os feridos, alguns acariciavam os que ainda viviam e lhes falavam baixinho.

Olhei para dentro da vala e vi os corpos se contorcerem e as cabeças imobilizarem-se calmamente sobre os cadáveres já deitados ali. O sangue escorria-lhes do pescoço.”

Trecho do depoimento do engenheiro Hermann Friedrich Gräbe sobre uma execução em massa de quase 5 mil judeus em 5 de outubro de 1942, em Dubno (Ucrânia) pela SS e a milícia ucraniana
.


FEST, Joachim C. Hitler. In: Vencedor e Vencido: A Realidade Perdida. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. p. 771.

09 Janeiro 2008

Que eles ibernem em 2008!

Das catacumbas renasce a inspiração.
Renasce também o fogo que outrora fora somente brasa.
De tormentas fortes, porém contidas,
foram-se os tempos em que eles passaram calados – os pensamentos.

Então agora, por bonança é o que me resta esperar.
Sem imaginar próspero futuro – obviamente – mas aguardando por momentos mais acalentadores daqueles que jazem na minha memória e que insistem – vez que outra – em emergir.

Em momentos de menor tranqüilidade, eles parecem me acompanhar a todo instante.
Contudo, sei que ao passo de algumas respirações, eles voltam aos seus recônditos, às suas catacumbas... quiçá cavernas. Seriam eles ursos ibernantes?

Daqui, posso fazer analogias quanto ao tom de cinza do inverno, mas ficará para outro momento.
Hélius >>01:52 >>09/01/2008

12 Novembro 2007

Abatido pelo clichê

Eu nunca gostei muito de clichês. Tampouco, ser vítima deles.

Escrevo sobre clichês sociais, entende? Aquelas situações onde você precisa fingir um comportamento para não destoar da massa.

Um exemplo típico é funeral.

Esse ano foi repleto deles. Pessoas próximas andaram partindo dessa para uma melhor. Porém, a minha relação com esse fato fúnebre (o funeral), não era de clichê. Eu não carrego o estereótipo de "pesar ao falecimento".

Todos esses rituais lúgubres... pobres almas...

Contudo, o clichezão vem depois de um tempo: o período de luto junto às datas importantes que você vai passar sem o ente querido por perto.

Pensei que a data do meu aniversário passaria como as anteriores... mas não foi assim: fui abatido pelo clichê.

Com uns cinco dias de antecedência, meu humor mudou: fiquei mais tenso. Os meus músculos que fazem franzir as sobrancelhas devem ter ganho uma tonicidade esplêndida.

Por várias vezes eu pensei: “mas não é possível, comigo não”. Eu não queria aceitar que esse estereótipo de “saudosidade do filho órfão em seu aniversário” tivesse se abatido sobre mim.

Seria possível sentir aquele abraço de pai novamente?

Então, algo de muito interessante aconteceu: hoje pela manhã, acordei logo depois dele ter me abraçado.

Não quero explicações. Religião, espiritualidade, psicologia... não me bastam, tampouco me interessam.

Apenas quero deixar esse dia passar, para que ao final dele, eu possa refletir melhor sobre os demais clichês que estão por vir.

Hélius >>11/11/2007 >>12:37

26 Outubro 2007

Instintos freados

Quando os teus olhos encontram os meus,
fico feliz em ver que tu me percebes.
Interessante o contexto desse teu olhar.
Interessante o conteúdo desse teu olhar.

Mesmo quando teus olhos não passam por aqui,
gosto de observar por onde eles transitam.
Correm com curiosidade... até que sem querer,
encontram os meus... que estavam a espera desse encontro.
Como não queres dar a entender desejo, desvia-os para outra direção,
numa tentativa mesquinha de enganar-me.

Meu Deus! Que freio é esse que me segura? Que freio é esse que te seguras?
Que freios são esses que nos mantém ligados apenas por um olhar?
Hélius >>09:54 >>25/10/2007

Obs.: eu sei que freios são esses... mas se eu explicar, a poesia perde a graça (rsrs)

13 Outubro 2007

Hoje compreendi o self.
Não, não... "compreendi "não é o termo correto. Compreender é fácil. Existem vários conceitos que o explicam.
Vivenciei, então!
Durante o banho, enquanto me agachei e fechei os ouvidos, assim permanecendo por alguns instantes. As gotas absorveram minha concentração e brevemente me abstraíram do mundo.
Imagina só essa experiência num dia de chuva...
Hélius >>22:43 >>13/10/2007

09 Outubro 2007

As três cascas da laranja

Na madruga de sexta para sábado, sonhei que estava namorando uma amiga. Um antigo amor platônico.

Saindo da minha casa com ela (casa essa que não era nada parecida com a minha, mas que no sonho era onde eu morava), peguei uma garrafa de uma bebida alemã (um digestivo chamado Jagermeifter) que estava perto de outras meia-dúzias da mesma marca.

Enquanto eu caminhava - ela já não estava comigo – descascava uma laranja. Estranhamente, ao terminar de tirar a casca, verifiquei que havia outra casca para ser cortada. Então chacoalhei a fruta e senti seu interior batendo por entre suas paredes. Tornei a descascá-la e para minha surpresa: havia uma terceira casca.

Nisso, o sonho migra para a casa dela (que eu não conheço, mas que no sonho era a casa dela).

Chegando lá, entrego a garrafa de uísque para o irmão dela que está de aniversário (sem embalagem de presente). Olho ao meu redor e entre os desconhecidos, percebo dois devotos da filosofia Hare Krishna. No sonho, seus rostos eram iguais, mas eu os percebia como pessoas diferentes.

Então, minha amiga reaparece. Dessa vez com seu namorado. Chega à sala para dar um retoque na mesa.

Lembro de ter sentido um choque ao olhar ao redor de sua sala, pois pensava que sua casa fosse mais sofisticada, ao contrário das paredes de madeira pintadas de azul, levemente escurecidas pela luz incandescente.

Independente de todas as interpretações que possam ser feitas a partir desse contexto, a que mais ficou na minha mente foi a da fruta de três cascas.

Atribuí os seguintes valores: quando eu tiro a primeira camada, a menina já não está ao meu lado (desfaço a fantasia). Ao cortar a segunda camada, estou saindo do meu inconsciente para entrar na realidade que é a terceira casca. Tanto é que não lembro de tê-la cortado.

Interessante (roçando o cavanhaque)... muito interessante.

Hélius >>22:41 >>09/10/2007

17 Setembro 2007

Virtualmente morto

Sentia-me morto. Virtualmente morto.
A tênue diferença entre o que podia ou não ser realidade, se rompeu.
Eu jamais poderia pensar que, por um momento, preferia continuar assim: virtualmente morto.
Logo, eu não tomaria conhecimento das verdades que eu temia encontrar.
Através do que escrevia, alimentou-se sentimentos, que para não destruí-los, preferia manter-me virtualmente morto, fora de conexão, sem respostas.
É o que dá teimar em antecipar o futuro, sem buscar as respostas no mundo real.

Introspecção será o meu remédio.
Subjetividade é a língua do meu coração.
Objetividade é o caminho para a minha alma.

Hélius >>00:40 >>17/09/2007

07 Setembro 2007

"Você extrai dos outros, aquilo que quer enxergar."

Hélius >>02/09/2007 >>16:26

24 Agosto 2007

Talvez por isso, eu não fale muito

Eu não falo muito.
Às vezes eu preciso.
Então eu falo.
Mas eu não falo muito.

Talvez por antever falta de compreensão.
Talvez por não ter palavras que me façam compreender.
Talvez por julgar que os outros não desprendem a devida atenção.
Talvez por isso, eu não fale muito.

Lembro-me de quando criança:
ficava bebendo refrigerante ao lado do meu pai.
Com a boca ocupada, não atrapalhava suas reuniões.
Talvez por isso, eu não fale muito.

Quando eu arriscava um lexão verbal, ele dizia:
" - Chega de conversa fiada!"
Quem diria... talvez por isso...
talvez por isso eu não fale muito.

Bem como, quando arrisco uma opinião e sou interrompido.
Se acho uma brecha, abrevio o discurso.
Vai que interrompam de novo...
Talvez por isso, eu não fale muito.

Se bem que eu gosto de escutar os outros conversando.
Captar seus gestos, seus sorrisos, seus escárnios.
Suas diferentes formas de expressão, além da fala.
Talvez por isso, eu não fale muito.

Mesmo com o pouco que eu falo;
quando paro de conversar,
penso que falei demais.
Talvez por isso, eu não fale muito.

Porém, como buscar entendimento sem elaboração?
Como buscar alívio sem trocar idéias?
Como buscar humor sem trocar palavras?
Talvez por isso, eu devesse buscar falar mais.

Hélius >>21/08/2007 >>02:30

16 Junho 2007

A coalisão fora de nosso alcance

A euforia que se instaura,
é diferente da vontade que lhe possui.
A esperança que lhe envolve,
não é a mesma que lhe convém.

Saiba que todos sempre estarão ali, em seu lugar.
Não precisa fugir, não precisa correr, não precisa buscar.
A escolha vem a seu tempo, não há opções a se evitar.
Há apenas um caminho a se seguir: o seu.

Ele coloca obstáculos em seu trajeto,
pois sabe muito bem onde você pode chegar.
Não estaria ali tão presente,
se não soubesse do seu destino ou onde você pode parar.

Você nunca irá parar de perseguir o futuro,
pois não discerne à verdadeira realidade.
Uma verdadeira epopéia terrestre - óbvio aqui na terra -
que não tem fim, apenas risadas para quem observa de fora - aqueles que não estão mais entre nós.

Aqueles que não estão mais aqui,
que agora enxergam através de um outro universo,
por meio de um mundo paralelo, que quiçá, você irá conhecer.
Tampouco sabe se chegará lá a contento, depende do que acreditará.

Outra responsabilidade implicita desde que se nasce:
ser correto para chegar ao lugar certo.
Mudar a lei, mudar valores,
ser o superhomem do qual Nietzsche falava.

Afinal: não é isso que nós queremos ser?
Esperamos nos tornar algo, deslumbrados pela retina alheia.
Isso é vida? Não, isso é ser peão que rodopia em um eixo,
fora do nosso controle, fora do nosso alcance, que rodopia em um estrado que não nos pertence.

Vagar por entre os pensamentos,
é o que meus dedos transcorreram.
Uma enchurrada de aclamações sem limite,
sem teor, com tesão, sem um fim, além deste: questionar.

Hélius >>16/06/2007 >>04:28

08 Maio 2007

Voltar a escrever

Escrevo hoje, todos os meus dias, durante o todo e muito tempo, até o momento da minha morte.

Escrevo hoje, todos os meus dias e durante muitos anos sem saber porquê, pois poetas estão à mercê da sorte.

Escrevo hoje guiado não pela tua mão, mas pela ira que me despertastes ao te ler em um refrão.

Escrevo hoje, já cansado, palavras infinitas, confusas, que durarão eternamente na alma de quem souber lê-las com visão.

Lembro-me de ti como um amigo e hoje não espero mais a tua visita, ó meu irmão.

Hélius >> 14/09/2004 >> 01:19

08 Abril 2007

À noite

Quero o teu afeto.
Preciso do teu carinho.
Preciso do teu calor.
Quero teu corpo junto ao meu.

O teu abraço esquenta o meu coração
nessa noite tão fria.
Só basta a tua presença.
Só quero o teu olhar.

Fica aqui mais um pouco
e escuta essa canção.
Eu não sei cantar direito,
mas vem do fundo do coração.

Hoje eu quero te ouvir...
para poder te aconselhar.
Como farás para seguir
e do caminho não errar.

O céu não tem estrelas
e nem lua para iluminar.
O que me resta é a tua companhia
e essa música para eu cantar.

Fica aqui mais um pouco
e escuta essa canção.
Eu não sei cantar direito,
mas vem do fundo do coração.

Hélius >>05:30 >>18/07/2000

26 Março 2007

De orelha a orelha...

Nasce um novo dia.
Um mar de possibilidades podem acontecer.
Um milhão de tormentos podem ser esquecidos,
bem como uma centena de bons momentos podem suscitar.

É uma nova oportunidade de diminuir os tormentos e
aumentar os momentos de "bons momentos".
Basta lembrar que para isso acontecer, só precisamos sorrir mais.
Portanto, hoje pela manhã, SORRIA
!

Hélius >>23:55 >>25/03/2007

13 Março 2007

Não há consciência quando existem pensamentos repetitivos.
Estar-se-a em um estado de consciência subliminar, que devido aos seus movimentos frenéticos, tornam-se diferentes de qualquer outra catexia possível.
Em outras palavras: descrevo aqui a ansiedade.
Hélius >>00:07 >>13/03/2007

12 Março 2007

A reza de um ansioso pagão

Deus... me dê um pouco mais de consciência.
Me permita enchergar o que meus olhos não querem ver.
Deixa eu ter um pouco mais de paciência.

Livra-me dos pensamentos que me deixam irrequieto, surdo, louco e equivocado.
Fantasiando coisas que ninguém falou.
Me escute... agora que estou aqui gritando o seu nome.
Olhe por mim... ao menos dessa vez.

Não me deixe ser assim tão compreensível.
Eu queria ser só um pouco mais egoísta, ignorante e retardado.
Ser pleno em nada.
Esvazie minha cabeça desses pensamentos redemoinhos, que não deixam o silêncio entrar.

Por favor...

Por anti estressores, anti rugas, anti drogas, anti tudo... perante tudo o que me fez chegar até aqui e ficar de joelhos e te pedir: me atenda... ao menos dessa vez!
Eu não quero vícios.
Eu não quero refúgios ou recônditos ineficientes, provindos de uma sociedade dependente e fugaz.
Eu quero apenas discernimento.

Obrigado por olhar por mim e me provir de sinceridade.
Foi só isso que eu havia pedido.
Hélius >>02:45 >>12/03/2007

Idos da compreensão além do possível

Quanto mais eu respiro, mais me dou conta do quanto já estou morto.
Está impossível dissipar essa sensação de vida insossa.
A quem cabe fomentar o desejo da morte? Ao homem? Ou a Deus, que fez das punções de morte concretos pensamentos infortúnios ao ser humano?
Eu sei a resposta!
Porém, é mais confortável dividir a culpa com alguém.
Principalmente com alguém - que teoricamente - tem mais responsabilidades que você.
Hélius >>em algum momento do segundo semestre de 2006

08 Março 2007

Dia da Mulher

Amigas, madames, conhecidas...
Senhoras, loiras, senhoritas...
Sérias, ricas, despreocupadas...
Lindas, feias, descabeladas...
Não importa em que padrão lhe encaixem.
Não importa em que padrão você se identifica.
Hoje é seu dia: vibre, comemore, sinta, pule, grite!
Parabéns ladies! U.uuuuuuu

08 Fevereiro 2007

A fêmea que reluz

No alto de seu arquétipo ela desfere o seu olhar.

Consegue arrancar lágrimas. Promove erupções de poesia, tanto quanto de escárnio.
Há também gemidos, mas acima de tudo: existem ovações.

Lá de baixo todos observam.
Não mensuram seu complexo. Não imaginam seus dons. Não conhecem e nem querem conhecer.
Apenas tencionam devorar.

O problema - para nós - é que o seu alpendre é muito alto e sem degraus.
Longe do alcance dos enfadonhos (para sua sorte e manutenção de seu bem-estar).

Deixe: assim ela pode escolher a quem dar a mão para ajudar a subir.

Elegerá como digno de construir degraus, aquele que procura saber o que é ser mais...
que simplesmente... ser humano.


Hélius >>08/02/2007 >>02:34

25 Janeiro 2007

Prólogo do bem

Cada novidade inspira um movimento positivo.
Mesmo sendo patética, a cada "ar da graça" de uma notícia nova, cria-se uma onda gradual de euforia, da qual quem está ao redor, não consegue ficar sem ser contagiado.

Por isso, deveríamos pensar mais vezes no dia de amanhã como algo excepcionalmente novo, único.
Tão aquém do que foi o ontem e melhor do que é hoje.
Assim, todos que convivem conosco sentirão essa sensação e sutilmente irão embarcar nessa envolvente sintonia que você emana.

Óbvio que não é todo dia que acordamos com alguma boa nova.
Geralmente esperamos que ela venha até nós.

Mude isso!

Faça diferente: seja você o tutor da novidade. O pai da boa nova.
Aquele que atrai, por provir uma emoção de boa qualidade.
Seja ela sobre política, novela, miséria ou educação.
Independente do tema, as notícias que chegam até você pelos meios de comuincação são quase sempre ruins.
Então, seja você o portador do lado positivo. O otimista. O transformador.
Sim...porque otimismo é contagioso.

O seu otimismo contagia bem mais pessoas do que a infelicidade gerada pelas más notícias ou pelas pessoas céticas.
Num primeiro momento, o ser humano inconscientemente reconhece o nível das emoções captadas e qualifica-as como boas ou ruins. E adivinhe qual delas ele gosta mais?

Quem respondeu "as emoções boas" acertou.

Uma boa novidade, lançada por um sujeito otimista, sempre vem acompanhada de um sorriso.
Só o fato do emissor sorrir, faz com que o receptor mexa involuntariamente todos os músculos necessários para o desenvolvimento do sorriso, mesmo não o fazendo.
E aqui vem o mais importante: libera a mesma química.

Portanto, procure ser um propagador de boas novas, busque agir com o triplo filtro de Sócrates e seja um ser humano cuja performance cotidiana resuma-se a isso: ver o lado bom das coisas.

Hélius >>04:13 >>25/01/2007

21 Dezembro 2006

1 ano!

Hoje, completa exatamente um ano desde a primeira postagem desse blog.
Quero agradecer aos amigos e visitantes pelo apreço e pelos incentivos aqui dispensados.
Boas Festas a todos e obrigado!
Hélius >>13:16 >>21/12/2006

17 Dezembro 2006

Lembranças

O descompasso dignifica minha alma
tua aprovação, desequilibra minha certeza,
teu pulso já não tem a mesma forma,
tua alma já não tem a mesma beleza.

Os anos passam e eu me lembro pelas fotos,
do que era alegria e a tristeza transformou.
Os anos passam e eu vejo em seu rosto,
que o sorriso foi embora, que ele já te abandonou.

Tuas palavras apaziguam outras branduras
que de graves só tinham o peso da angústia.
Teus sentimentos já não tem o mesmo gosto,
mas já não os sinto, pois nem quero experimentar.
Hélius >> 03:14 >>16/11/2006

14 Dezembro 2006

Daqui um pouco ele pára

Pára um pouco, daqui a pouco o tempo pára. Ainda bem...
eu já estou cansando daqui.

De ter de caminhar pelas ruas que eu vi... construir;
de ter de ver os mesmos prédios que eu vi... crescer.

Pára um pouco, daqui a pouco o tempo pára. Ainda bem...
eu já estou cansando daqui.

Eu já cansei de sentir meu coração bater do lado de fora...por outro alguém...
diferente de mim. Quem não quer o seu bater?
Não sabe como é bom ter...e que ele não é um qualquer.

Vai, veja bem, escute isso que eu disse...
Vai, ouça bem, não deixe nada lhe escapar...um olhar, uma gratidão, um sorriso ou até... meu coração.

Pense bem...você já ouviu o seu coração bater?
Escute bem, preste atenção, porque ele vai parar... um dia ele vai parar de falar com você
e quem sabe já será... tarde demais para ouvir... quem te fará feliz.

Pára um pouco, daqui a pouco o tempo pára. Ainda bem...
eu já estou cansando daqui.

De levar todos os sonhos que criei,
todas as imagens que aqui pensei,
todas as vertigens que um dia mirei,
todas as pessoas que um dia amei.

Vai, veja bem, escute isso que eu disse...
Vai, ouça bem, não deixe nada lhe escapar...um olhar, uma gratidão, um sorriso ou até... meu coração.
Hélius >>03:32 >>13/12/2006

11 Dezembro 2006

Velho medo novo

Tanta preocupação não vai levar a nada,
pois se todo dia alguém morre, nós... também vamos morrer.

Correndo atrás da máquina, respirando evolução.
Tecnologia é a chave para globalização.

Fugimos da miséria driblando grandes credores,
Aqueles que mandam em você, seus superiores.

O barco ao que pertencem não irá naufragar,
Pois a justiça está do seu lado para rebocar.

Técnicas novas são para vender demais.
Enquanto alguns crescem, outros empobrecem cada vez mais.

Enquanto soluçamos durante a noite, outros vão gritando alegres pela manhã,
Os poucos que comemoram a consagração de um novo dia.

Globalização compactada em disquetes de informação.
Quem não acompanha, perde o ritmo dessa ilusão.

Latas de fumaça pra deter nossa visão.
Escândalos de trapaças, novos casos de corrupção.

>>Hélius

31 Agosto 2006

O meu suicídio para o nosso nascimento

Eu nasci sem objetivos. Logo cedo, só pensava em brincar, comer, pular, dançar, correr, gritar. Não me preocupava com as normas sociais, éticas e de convívio básico. Isso não fazia parte das minhas necessidades, de meu discernimento como pessoa. O que importava, era minha saciedade. Matar a fome, se urinasse nas calças não tinha problema, falava alto quando bem entendia e também o que queria, sem discriminação, afinal, naqueles tempos eu era apenas uma criança.

Com a escalada dos anos, eu percebi que minha saciedade barrava na privação. Na recíproca de respeito para com os outros. A sociedade então - que já havia apresentado suas regras - cobrava uma adaptação rápida e imediata, pois eu estava na escola. Eu, mais uma vez, só pensava em brincar, comer, pular, dançar, correr, gritar, mas aos poucos outro passatempo foi sendo inserido na minha rotina: estudar. Eu não sabia se estudava para saber ler e escrever ou se era porque meu vizinho também estava estudando. Éramos da mesma idade, se esperava comportamento igual ou semelhante.

Nessa época, também notei que eu estudava para tirar boas notas. A proposta era de obtenção de conhecimento básico, mas o que me movia mesmo, era ser o melhor da classe: tirar notas boas para intimidar os colegas e obter a aprovação dos pais e professores. Quem sabe até um presente no final do ano.

Ainda no meio escolar, dei-me conta que as notas não interessavam mais e que o estudo também não. Em que parte de minha vida eu usaria as tais teorias matemáticas, físicas ou químicas? Mal sabia eu que, se elas não fizessem parte da minha futura profissão, fariam parte do meu cotidiano. No entanto, eu ainda não tinha consciência disso. O que eu queria naquele momento era a independência financeira. Simplesmente para poder voltar a ser criança. Poder brincar, comer, pular, dançar, correr, gritar, sem me preocupar com nada. Porém agora era necessário achar tempo e dinheiro para isso.

Eu nada sabia fazer, além de cálculos matemáticos, redações de português e resolver algumas equações químicas. Naquele momento percebi que para minha atual necessidade, isso não me qualificava para o trabalho. Então vi que a organização social da qual eu fazia parte, não havia me preparado, para continuar nela. Então fui procurar o que ela não tinha me apresentado, porém que estava ali, a disposição daqueles que quisessem apurar mais seu “eu”: os cursos.

Finalmente voltando ao círculo do qual já nascera inserido, verifiquei não estar envolvido por completo nessa roda. A redundância é mínima, se comparada a quantidade de raios que podem ter um círculo social. Eu não me via confortável no nível em que estava. Até o momento, brincar, comer, pular, dançar, correr, gritar eram suficientes para eu. Contudo, depois de estudar e trabalhar passei a querer mais, pois “mais” me era oferecido.

Percebi que as trocas de relacionamento ocorriam muito na base do eu. Eu fui isso, eu fiz isto, eu gostei daquilo, eu não aprovo desse jeito, eu quero mais, eu posso, eu vou, eu faço, eu mando, eu como, eu durmo, eu fumo, eu bebo, eu bato, eu levanto. O nós, só existia nos círculos de raio menor, onde eu, através da qualificação do meu “eu”, já havia sido previamente aceito. Fora desse raio, encontrava uma necessidade maior, de promover movimentos que me fizessem merecer fazer parte de outra zona da circunferência. Para minha sorte, meus movimentos sempre foram focados no brincar, comer, pular, dançar, correr, gritar. Nunca haviam me suscitado a vontade de matar, bater, maldizer, ultrapassar, desgraçar. O que me possibilitou uma ascensão mais honesta, aos olhos de quem eu buscava ser visto.

Porém, fui percebendo que não era só eu que buscava ser notado, apreciado, engolido, aceito e prestigiado. Todos ao meu redor buscavam a mesma coisa. Uns pelos mesmos motivos que eu, outros por diferentes interesses, mas todos queriam subir um raio na infinita circunferência social.

Não havia mais preocupação com o "nós". Se para eu não estava bom, tinha que encontrar um modo que ficasse melhor. Mesmo se isso malograsse outrem. A reversão para minha felicidade era mais importante que qualquer outra coisa. Não era isso que nos imbuíam: a busca da felicidade?

Nunca havia ponderado que a circunferência social intangíel está para o infinito assim como a busca da felicidade está para o ser feliz.

Eu sempre quis mais, mas não percebi que nunca teria-os pleno. Até o momento onde notei, que a plenitude não era o mais importante. Eu poderia transitar entre um nível social e outro, sem me sentir o pior por causa disso. Eu poderia estar feliz hoje e nem tanto amanhã. Porém, para que isso fosse possível, era necessário aceitar os outros.

Foi assim que percebi a importância da dissociação do eu. Sozinho, não alcançaria nenhum estágio de felicidade, pois não haveria ninguém para enxergar que eu estava feliz. Sozinho, não haveria necessidade de trânsito por entre classes sociais, pois elas não existiriam. Então eu pude verificar que “nós” éramos mais importantes que “eu” e passei a investir tudo de que eu dispunha - até então em conhecimento e habilidades para minha satisfação - para nossa satisfação.

Com o tempo, pude avaliar que não importava mais onde eu havia nascido, quem eram meus pais ou se eu brincava, comia, pulava, dançava, corria, gritava, matava, batia, zuava, maldizia, ultrapassava, desgraçava. O importante era o que nós fazíamos. Havíamos nos dado conta de que nós éramos mais importantes do que eu, pois sem nós não existiria eu.

Então nós brincávamos, nós comíamos, nós dançávamos, nós corríamos, nós gritávamos. Nós fazíamos tudo para a manutenção da felicidade.

Eu acabei indo para o inferno. Nós, acabamos descobrindo o céu.

Hélius >>09:49 >>31/08/2006

27 Agosto 2006

Axiomática e profícua paixonite....ou seria o cérbero abrindo-me as portas?

Hélius >> 08:10 >>27/08/2006

14 Agosto 2006

Eu já não esperava

Quando você consegue mudar a cor dos meus olhos,
pode estar certa: é só alegria.
Quando você consegue mudar a cor do meu rosto,
pode estar certa: é só magia.

Quando você aparece, não quero fugir.
Não tenho mais medo agora que aprendi.
Quando você aparece não tenho pr’onde ir.
Não quero ficar longe, perder você sorrir.

Quando eu era o mais discreto queria ser
o mais modesto, mas você não iria acreditar.
Quando eu era o mais esperto queria ser o mais
correto, mas a alguém eu não pude enganar.

Quando eu estava só pisando na dor
e ninguém mais me queria.
Quando eu já estava morto
e ninguém mais sabia.

Quando abri meus olhos não acreditei.
Demorei pra entender que beijei você.
Quando pegou no meu coração
parei pra pensar se não era só mais uma ilusão.
Hélius

12 Agosto 2006

Just a little song

Torpor
Meu mundo é um ciclo vicioso numa alegria inexistente.
A natureza é generosa comigo e não vai me prejudicar.
Não é fácil sair e se você quer entrar é só estalar os dedos do caminho sem volta.
Algumas amizades são a alma do negócio e em pouco tempo você se torna sócio,
Pois a mágica é mais forte que o libido, inimigo que te dá uma overdose de presente.
A morte dos heróis, a morte das famílias, a morte dos amigos,
a morte da sua vida social e a morte do seu convívio com o ser humano.
Tenho sede, mas não quero me prender, tenho que ir embora, mas o buraco é muito fundo.
Se o ópio me dá prazer o lúpulo me deixa amargo.


Hélius

11 Agosto 2006

Fórmula de Calor

Em dias assim eu sinto frio.
Dias de inverno, onde a neblina vem ao tempo da solidão.

A ausência de um corpo ao lado de outro, no mesmo ambiente, gera perda de calor. Reafirmação de teoria física, porém dedicada aos meses estranhos de inverno.

Pudera ser o frio apenas ausência de calor. Sentimos mais do que isso quando privados de outro coração.

Portanto, concluo:
Inverno + frio + solidão ≠ de ausência de calor.
Inverno + frio + solidão = ausência de outro coração.

Há quem diga, que não vivemos sem a Física. Outros, se perguntam o porquê de estudá-la. Eu mesmo já fui um desses desacreditados de Newton. Porém hoje, percebo sua utilidade, no que tange "parar de sentir frio".

Hélius >> 06:53 >>08/08/2006

08 Agosto 2006

Adequado talvez para muitos, é o conceito dado à humanidade. Escasso talvez para poucos, a aceitação de tal argumento.

Nunca é fora de época, questionar à respeito dessas explicações. Afinal, elas norteiam muitos de nossos sonhos.

Se não tivéssemos um conceito - mesmo que vago - do que adiantaria seguir em frente? Levar a vida adiante?

Poderíamos traçar aqui, um parâmetro: quanto mais vago é o nosso conceito em relação à existência humana, mais pequeno é o nosso sonho. Do contrário, quanto mais amplo for nossa sede por conhecimento, maiores serão as nossas metas - independente do plano - materiais ou espirituais.

Não quero aqui, gerar discordância, pois sim reflexão. Refletir quanto ao tamanho de seus desejos e suas indagações sobre as questões da humanidade.

Hélius >>04:53 >>30/07/2006

09 Julho 2006

Triste é o compasso de um coração que bate só.
Tum...tum...tum...tum...
São reticências longas. Longos espaços de tempo.
Suficientes para manter-se vivo.
Pois mesmo triste, se vive. Mesmo só, se vive.
Triste é o compasso de um coração que bate só.

Hélius >>05:57 >>09/07/2006

03 Julho 2006


Hélius -->00:52 -->02/08/2000

01 Julho 2006

Se me quer

Eu mudo os olhos das pessoas que me olham.
Eu mudo o mundo das pessoas que me querem.
Eu mudo o tempo quando quero te ver.
Eu mudo verdades quando quero te ter.

Eu faço tudo pra ser feliz com você.
Eu quero muito tempo assim com nós dois.

Eu sou assim, se me quer, vai ter que ser assim.

Olha dentro de mim, você vai encontrar
A mesma menina de tempos atrás.
Um pouco diferente porque a vida me roubou
Um pouco da inocência que não volta mais, que não quero mais.

Eu sou assim, se me quer, vai ter que ser assim.

Porque assim eu consigo me defender.
Porque assim eu consigo me vencer.
Porque assim eu consigo ser feliz.
Porque assim eu consigo o que sempre quis.

Alguém do meu lado com que eu possa contar.
Alguém do meu lado para sempre ficar.

Eu sou assim, se me quer, vai ter que ser assim.

Hélius -->16/12/2002 -->00:16

Sobre motivação...

Se caio... me levanto depois de um tempo, pois no pouco que me conheço, só eu sei o que fazer para a minha tristeza passar.

É olhar para dentro de nós e percebermos, que melhores que a gente, existem poucos... não há em todo lugar. Fracassos vão e vêm. É assim com todo mundo.

Existem aqueles que continuam lutando e há aqueles que já perderam a vontade de lutar. Ficam procurando respostas inexistentes. Ficam deixando o "bonde" levar.

A sociedade cria acomodados, mas esquece que em alguns, há o germe da vitória, onde nem o mais poderoso vírus tem lugar para agir e vencer. Por mais forte que seja, qualquer doença tem cura: a perseverança!

Hélius -->00:13 --> 20/01/2002

08 Maio 2006


Hélius >>02:48 >> 07/06/2005

26 Abril 2006

Publico esse texto, embora não seja de minha autoria. Concluí que deveria dividí-lo com o maior número possível de pessoas:

"Nasceste no lar que precisavas, vestiste o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização. Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle. Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes... São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência. Não reclames nem te faças de vítima, antes de tudo, analisa e observa, a mudança está em tuas mãos, reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

Chico Xavier

13 Abril 2006

Fetiches do dia-a-dia

Nada do que é belo, está aqui...de pronto.
Nada do que é certo, está aqui...de pronto.
Nada do que é bom, está aqui...de pronto.

Para que tudo esteja aqui...de pronto, é preciso exalar muito suor, senão...

não seria belo...
não seria certo...
não seria bom..
Hélius >>05:23 >>13/04/2006

28 Março 2006


Hélius -->02:34 -->02/03/2001

22 Março 2006

Descrevi

Baseado em ti...
escrevi um verso...menti!
Pensando em você...
não acreditei quis morrer.

Não sabia como aproveitar
o tempo que tive para sonhar.
Não cabia a mim negar
então pra que afagar.

Vou respirar, vou sentir, vou vencer.
Vou pensar, vou pedir, vou viver.

Podia querer voltar,
mas então não riria com meu tentar.
Desertificado e rachado
não poderá seguir.

Basta procurar as ilusões
dentro de mim para espairecer.

Vou respirar, vou sentir, vou vencer.
Vou pensar, vou pedir, vou viver.

Cada dia é um próximo
momento de criação.
Cada compreensão
é um ponto na afasia.

Todo o esclarecimento faz
a verdade aparecer.
Todo eufenismo é
uma tentativa de crescer.

E pode ter certeza:
está aqui na forma do escrever.

Hélius -->23:58 --> 03/02/2001

18 Março 2006

No final, as palmas

Tua alma nua veio ao meu encontro.
Lembranças minhas só restaram-lhe o afeto.
Tragava na memória o meu desgosto,
de um dia nunca mais estar por perto.

O corpo frio e pálido ficou para trás.
Nu, escuro e atormentado pela noite.
Quisera eu poder estar confuso,
mas tua vida, a morte ceifou à coice.

Venha a mim então desencarnada,
na mais pura e generosa harmonia.
Se ficarás porém desamparada,
é um risco que corre pela alegria.

Desfaz o grito, acabou a cólera.
Chegou então teu destino ao fim.
Teria eu compreendido a morte?
Teria eu compreendido o fim?

Hélius -->04:27 -->18/03/2006

22 Fevereiro 2006

" A solidão carregada de desgraça, gera mais poesia que o amor repleto de graça."

Hélius -->01:20 -->14/09/2004
A maneira mais fácil de perceber e comprovar que os adultos envelhecem, mas suas almas continuam como quando eram crianças, é observando suas reações em momentos de raiva e insegurança.

Hélius -->08:28 -->30/01/2003

25 Janeiro 2006

Hélius--> 22/04/2003 -->02:00

Antes do Começo

Na minha estrada não via caminhos,
só havia espinhos pra me atrapalhar.
Na minha estrada não havia sorrisos,
só ouvia gemidos pra me amedrontar.

Na minha pequena vida não acontecia nada,
só o tempo passava esperando ver o dia acabar.
Na minha pequena vida percebia não ter nada,
só esperava o dia em que o fim poderia chegar.

E mesmo nessa espera o caminho estava traçado.
Fugia do meu domínio, não podia adivinhar.
E mesmo nessa espera o destino estava escrito.
Fugia do meu domínio, eu ia lhe alcançar.

Com tanta coisa pra acontecer,
não percebi que o tempo passou.
Foi tão de repente,
o amor pela gente logo surtou.

Com tanta coisa pra lhe dizer,
não percebi que você se entregou.
Foi tão inesperado que aquele
beijo dado até assustou.

Com quanto medo se fecham os cofres?
Com quantos abraços se ganha o amor?

Se de ti queria um beijo,
feliz me sinto agora como estou.
Se de ti queria carinho, feliz me sinto agora,
se me deu calor.

No tempo de ser mais novo,
já muita coisa correu.
Daquele dia onde me pus louco
tanta coisa amadureceu.
Hélius -->27/01/2004 -->00:30

18 Janeiro 2006

Duas perguntas, uma resposta

Caem pingos d'água na minha cabeça.
Me afogo em remédios contra a solidão.
Sinto pedras de rios sob meus pés.
Não vejo mais céu, só deturpação.

A causa não sei, desconheço e só.
O nome existiu, talvez imersão.
A pérola d'água não emergiu,
mas a causa talvez fosse só diversão.

Contra feridas se aplaca a dor.
Contra a dor se arranja o perdão.
Contra censura existe a luz.
Contra a tristeza só o coração.

Não diga a ninguém como fazer.
Se quer que eu faça, finja que não,
senão eu digo: " - não vou fazer",
senão eu paro, não saio do chão.

Não há mais tempo, nem o que perder.
Não há batimentos, nem mais extorsão.
Só aqui mesmo pra gente aprender.
Que sozinho não basta, não há condição.

Para que viveu?
Era para não deixar a gente só.
Para que morreu?
Era para não deixar a gente só.

Hélius --> 18/01/2006 --> 02:32

16 Janeiro 2006


Hélius --> 27/12/2000 --> 00:42

07 Janeiro 2006

"A filosofia de hoje é a ciência de amanhã."

Hélius --> 09:44 --> 28/06/2002
"O mau nunca deixará de existir. As coisas ruins que acontecem, sempre ganham um enfoque especial. Maior que o devido. Enquanto isso, as coisas boas ficam obstruídas. Obscuro sob nossos olhos que preferem enxergar mais desgraças do que beleza."
Hélius --> 23:14 -->15/11/2002

03 Janeiro 2006


Hélius -->23:35 -->01/08/2000

02 Janeiro 2006

A Caminho do Paraíso

Subi uma escada que me levava ao céu
e no caminho vira quadros, diversas pinturas, até um corcel.

E no segundo piso, vi sombras negras e escuras,
figuras semi-nuas dos meus fantasmas punks.

Eram intermináveis seus degraus, ladrilhados de mármore branco,
quando em prantos comecei a soluçar antecipando o que podia me esperar.

E achei! O que fora antes um sinal de interrogação,
agora era uma luz que preencheu a imensidão do infinito.

Subia degraus, quando a cólera chegou.

Hélius --> 22:20 --> 12/04/2002

De sonhos ou memórias

O passado é feito de memórias e o futuro de sonhos. Então o homem se lamenta pelo tempo que passou e por aquele que passará, pois - provavelmente - não terá aproveitado o futuro, que - nesse caso - já passou.


O tempo se torna tão efêmero quando se é jovem. Só percebemos como passou depressa quando o futuro chega: a idade dos cabelos brancos nos reserva muito tempo para pensar sobre àquele perdido.


O presente já é passado há um segundo atrás e o futuro já é presente há um segundo atrás. Em dois tempos o tempo mudou de presente para passado e futuro para presente. O que mudou? Nada!


Tudo continuou igual. Bem certo que foram só dois segundos, porém não acrescentaram em nada a minha existência. É por essas e outras que existe o termo: perda de tempo.

Contudo, quando lembro do tempo que passei lembrando dos momentos que dividi com meus amigos, esse tempo não é mais passado e sim memórias.

A espera por novas pessoas não é uma perspectiva para o futuro, mas sim um sonho constante.

Afinal, ninguém vive só de memórias - ou é de sonhos que se fala?


Hélius -->03:29 -->02/05/2002

25 Dezembro 2005

A priori, todos somos iguais. É só depois de um tempo que começamos a ficar infelizes.
Hélius -->13/09/2001 -->02:13
O mundo destrói os valores que te dá.
Hélius --> 13/03/2001 -->02:03
Só saberei quem sou e para onde vou, quando o meu ciclo de vidas tiver
cessado, porque assim já poderei saber quem fui e para onde fui.
O fim é a melhor conclusão.
Hélius -->06/02/2001 -->03:06
Honra é uma dádiva que o homem dá a si mesmo.

Hélius -->02/11/1999 -->00:18
O homem já chegou a pisar na lua, mas até hoje não conquistou sua liberdade.
Hélius -->20/10/1999 -->21:30
Se neste mundo os loucos fossem a maioria e nós - os normais -
fôssemos a minoria, nós é que seríamos os malucos.

Hélius -->14/09/1999 -->20:54
A coragem de uma pessoa pode ser demonstrada por atos de violência,
mas as mais corajosas são aquelas que expressam a sua opinião.

Hélius -->02/09/1999 -->08:17

22 Dezembro 2005

Desejar um Feliz Natal e próspero Ano Novo de coração é difícil.

Mas sinceramente, espero que esse Natal seja um momento para não pensarmos! Sim... apenas apreciemos a VIDA! Correndo o risco de parecer pedante, Nietzsche dizia que a recompensa dos mortos, é a de não morrer novamente. Ignorava ele a beleza da vida. Você também ignora?

Se ignora, não tem problema... é para isso que o Natal é tão pertinho do Ano Novo: lembramos do surgimento de uma vida grandiosa para depois termos chance de levá-la como exemplo no o próximo ano.

Que nossos sonhos possam se realizar nesse ano de 2006 ou ao menos, que seja um tempo de buscarmos ferramentas para tal. O importante é continuarmos sonhando, ou seja, alimentando a alma.

Hoje sonhei. Preocupações com o trabalho. Em seguida estava pensando em como cumprimentar meus amigos de maneira que soasse sinceridade. Portanto, lembrem-se também, que é nos sonhos que vem as melhores inspirações (modesto eu, né?)

Feliz nova chance...feliz novo tempo para conquistas e realizações!!!

Depois da pena...

Pura e simplesmente tinta?

Ao observar os movimentos de uma mão empunhada de uma caneta, percebe-se um verdadeiro balé.

Quem nunca rabiscou na vida?

Uma ponta metálica, um corpo cilíndrico e uma tinta qualquer.

Por trás dessa invenção continua o rudimentar homem. Aquele que em pedaços de papel obriga alguém a pagar uma multa ou ajuda, com seu “autógrafo”, a salvar o mundo.

A caneta tem dois extremos quando aberta: de um lado a ponta, aquela que descreve soluções e desfaz atritos; de outro lado à tampa, aquela que fecha a oportunidade de solucionar algo ou desfazer atritos.

Da pena ao tinteiro, a caneta só ganhou novas cores. A essência continua a mesma.

Assim como o ser humano. Somos os mesmos. Com os mesmos sentimentos de séculos atrás. Mais ambiciosos? Talvez.

A verdade é que nunca estamos satisfeitos com o materialismo ao nosso redor e então estamos sempre em busca de “novas cores” para dar um ar mais colorido as nossas vidas.

Um dia eu explico a relação sentimental entre o azul e o homem. Isso, se essa pergunta não for mais uma daquelas como: “Por que o mundo existe?”


Hélius >>01:45 >>10/05/2001

Teoria Divina

Todos nós sabemos que as células formam tecidos, que formam órgãos, formando sistemas e por fim o corpo humano. Sabe-se também que o espaço entre uma célula e outra é muito pequeno.

Partindo desse raciocínio, nós também sabemos que a Terra fica na galáxia Via Láctea e esta, por sua vez, está situada dentro do universo.

Seria loucura chamar as estrelas da nossa galáxia – e das outras – de células?

Pois bem, levando em conta que isso não fosse maluquice, poderíamos afirmar que a Terra e os outros planetas (que por ventura tenham vida) são órgãos.

Seguindo essa linha de pensamento, então as galáxias podem ser sistemas de algum organismo e julgo não ser pretensão dizer que esse organismo pode ser o divino.

Veja bem: perante o ser humano, a célula é um átomo, ela é micro. Diante o universo, uma estrela também é um átomo, é micro.


Astros, estrelas<---------------------------->Células
Planeta<-------------------------------------->Órgãos
Galáxia<----------------------->Sistemas(organismo)
Universo<---------------------------------------->Deus
É só um palpite
Hélius >>01:11 >>16/06/2001
Obs.: no momento da concepção dessa teoria, eu desconhecia a obra de Baruch Espinosa.

Oração de um povo feliz!

Só um avô num asilo, sabe como dói a saudade.

Só um pai sabe como dói ter de dizer não a um filho.

Só um adolescente conhece o verdadeiro sentido de revolução.

Só uma criança sabe como dói à rejeição.

Todos nós sabemos como é fácil se frustrar e difícil se reerguer.

Um tijolo sem argamassa é só mais um tijolo.

Você sem fé em Deus é só mais um no mundo.

As crianças são o futuro da nação.

Nós mantemos essa afirmação e cabe a nós concretizá-la.


Hélius >>00:26 >>16/4/2001

Manifesto

Nasci! Logo já devo algo a alguém. Mesmo que esse alguém seja meus pais. Mesmo se o que devo é gratidão.

Começo a me alimentar, nisso já contribuo pagando impostos.

O fato é que o mundo é uma verdadeira “matrix”.

Você nasce. Para nascer depende da boa vontade de duas pessoas. Torna-se independente aos vinte e um anos, mas ainda tem de prestar contas aos seus pais e agora também ao governo.

Inconstitucionalmente você tem o direito de respirar ar puro, mas para isso só mudando de planeta. E amanhã ou depois teremos guerras pela água.

O que quero dizer com isso?

Eu quero que o povo entenda esse dominó. Que entendam: somos meros fantoches! Quem deixa de ser de madeira é tachado de pinóquio, ninguém acredita em nós. Às vezes irão chamá-los de maluco e interná-los em clínicas psiquiátricas para que assim não divulguem os planos do nosso destino, traçados por meia dúzia de pessoas.

Tudo que afirmam ser correto é errado e vice-versa. Um exemplo disso é que o único monopólio que deveria existir seria o da crença em Deus, no entanto, criam batalhas em seu nome.

Julgo que a cultura mais perto da realidade nessa questão é a oriental. Ela está embasada nos antigos vedas; mas ainda assim prefiro crer num único Deus, onipotente e onisciente. Ele está aí para ser meu consciente e a minha inconsciência, impondo-me dúvidas ao invés das respostas óbvias.

Gosto da vida e não temo a morte. Tenho apenas medo de morrer e minha memória cair em esquecimento, porque assim, de nada adiantou eu ter nascido.
Contribuí para enriquecer algumas pessoas e deixar saudades para outras e fim?


Não é isso que quero.

Eu quero é mudar o mundo!


Hélius >> 02:38 >> 22/12/2000

Será que dá?

Eu perdi a minha essência, a minha inquietude e a minha capacidade revolucionária.

Características previsíveis num adolescente, mas que sinto em mim – mesmo fora da idade para tal classificação –, uma fagulha, resquícios dessa chama que protagoniza mudanças.

Se o amor é característica que vai contra esse personagem, não quero mais tal sentimento. Porém, como viver sem?

Eu sempre tive um “que” de inspiração “guevariana” e sinto ainda acesas, aqui dentro. Só basta ventar.

E se for preciso ficar sem amor para ser guerrilheiro anti-social e sem os tampões que impedem a visão longitudinal do burrico?

O que vou fazer?

Conseguirá o instinto revolucionário sobreviver ao amor?

Digam-me, ó espíritos capitalistas, como fazer. Ao menos uma vez, elaborem uma fórmula, que seja anti-marxista, porém, favorável ao ser humano – afinal somos a maioria e sem nós, vocês não sobreviverão.

Resta-me ainda um questionamento: poderá o amor co-existir com a inquietude relacionada as causas sociais?



Hélius >> 29/03/2005 >> 08:30

21 Dezembro 2005

Contextualizar

A pérola preta da flor que vai embora com o vento, corrobora com a luz do pôr do sol que se põe nesse momento.

A cor negra da noite chega para amassar o dia, que mais uma vez nasceu, passou, escapou e se esvairiu vazio, sem deixar marcas, significado, mudanças ou poesia.

Tudo continuou igual, a não ser as células do meu corpo, que envelhecem junto com as idéias, ideais, conceitos, rótulos e outras parcimônias falidas.

Não será necessário postular atos de piedade para manter-se vivo nos dias que virão! Bastará apenas estar-se vivo. Bastará apenas, aceitar as novidades que nos deixam "boquiabertos" e então, depois de mais um dia, torna-se rotina.

Paradigmas são feitos para serem quebrados, conceitos são idéias para serem aprimoradas. Viver é gozar de amor e alegria. Chorar é para quem exorciza a desgraça de si, com o coração.

Catástrofes acontecem todo dia e a qualquer momento. É simples assim quando não ocorrem com você, não interrompem a sua rotina tranqüila ou, não acabam com o que lhe deu prazer.

A geometria matemática só serve para o ser humano poder observar Deus de diferentes ângulos. Ópticas diferentes, que se confundem nas suas palavras e nos seus textos, mas que se fundem na mesma idéia.

Cansa esperar pelo projeto finalizado num futuro distante e às vezes inalcançável. Quando os fatos não convergem a seu favor ou quando as nuvens negras estão em maior número que as brancas constantemente.

No entanto, a esperança é característica genética da nossa sociedade e entrar em desespero seria precipitar-se aos fatos. Covarde-ar-se. Fechar os olhos para o problema ou simplesmente desistir.

Se saberá então, aproveitar as oportunidades e seguir humano, como todos os outros.

Hélius >>02:02 >>20/07/2004
Um número nunca é igual ao outro.
Uma flor nunca é igual a outra.
Um risco nunca é igual ao outro.
Uma morte nunca é igual a outra.

Se é assim, por que todo mundo quer ser igual ao outro?

Um sapo não é igual ao outro.
Uma vida não é igual a outra.
Um amor não é igual ao outro.
Uma sopa não é igual a outra.

Se é assim, por que todo mundo quer ser igual ao outro?

Um silêncio não é igual ao outro.
Uma garrafa de cachaça também não.
Um livro não é igual ao outro.
Uma chance de vida também não.

Se é assim, por que todo mundo quer ser igual ao outro?

Um beijo não é igual o outro.
Uma guerra sórdida também não.
Um tiro não é igual ao outro.
Uma transa inesperada também não.

Se é assim, por que todo mundo quer ser igual ao outro?

Hélius >> 07/04/2004 >> 00:07